domingo, 23 de dezembro de 2012

Sobre acabar

Uma vez li em um livro que não era o mundo que acabava, e sim as pessoas. Cada pessoa se acabava gradativamente, e depois que me dei conta disso comecei a pensar desde quando estou me acabando? 
Veja bem, a partir do momento que nascemos estamos começando a se acabar. Mas é irônico, pois crescemos com o passar do tempo. Vivemos uma vida, construímos nosso próprio mundo, nossas opiniões  e continuamos a crescer, mas ao mesmo tempo estamos acabando.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nada de rimas e metrificação


A semana estava uma droga, essa era minha certeza absoluta naquele momento. Não era bem saudade, mas era apenas aquela leve vontade de estar no mesmo ambiente que ele. E lá estavam. 
Entre um olhar e outro, um sorriso. Entre uma brincadeira e outra, uma risada. Mas que som belíssimo era aquele? Já não podia se conter ao ver aqueles pequenos olhos brilhando. Sinceramente já não podia se conter com muita coisa ali.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sobre garotas incompreendidas

As garotas a odiavam, e os garotos tinham raiva por gostar tanto dela. Era simpática e gostava de se divertir. Era incompreendida. Não gostava de ouvir conselhos, gostava só de fazer aquilo que a fazia se sentir feliz.
Não tinha escrúpulos, falava palavrões, piadas de mau gosto, brincadeiras irritantes, pegava todos os garotos, e faziam com eles o que bem entendia. Ela se achava no controle da situação na maioria das vezes, mas qualquer um que olhasse para ela realmente conseguia ver suas fraquezas. Era uma garota tão frágil e inocente no mesmo tempo que era completamente forte e pervertida. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Sobre portões

Ele já estava longe, longe o suficiente para não escutar os soluços, o suficiente para não conseguir ver os olhos vermelhos. Ela desejou gritar, mas não adiantaria, ele não ia mais desviar do caminho, ele havia feito uma escolha, não ia voltar atrás e ela sabia disso.
Passou uns dias, umas semanas, talvez até uns meses. Nada mudou. Alguns dias ela se lembrava, em outros ela simplesmente esquecia-se de lembrar. Sentia uma vontade de ligar uma vez ou outra, mas não queria ouvir a voz dele. Sentiu vontade de ir lá visita-lo, mas não queria ver ele. Ela sentia uma falta, tão grande, mas tão grande... Se ele soubesse... Se ele soubesse na verdade nada iria mudar mesmo. Pessoas que nasceram para ficarem separadas, não ficam juntas de maneira alguma.
Ele era esse tipo de pessoa. Ela nasceu para ficar perto dele, mas ele não. Tudo que fazia era partir, era a melhor qualidade que ele possuía. Ele partia mesmo sem ir a lugar algum. E ela ficava. Sempre ficava, sempre esperava, sempre ligava... Ele nem ao menos abria o portão para ela entrar, e não era só da casa... Ele nunca, em nenhum momento sentiu algo por ela. E seria assim.
Ele não ia ligar, e ela já sabia disso. Mas esperava, mesmo sabendo que nem ao menos o numero dela ele tinha.
Noites, dias, tardes... Tudo foi se perdendo, tudo estava distante agora. Ela o viu algumas vezes na rua. Não quis conversar. Ele também a viu, mas fingiu que não.
Agora não existe mais ela e ele, existe ela e existe ele. São pessoas diferentes agora. São apenas outras pessoas. Ela foi apenas mais uma que se foi. Mas dessa vez ela havia percebido finalmente que nada disso vale mesmo a pena. Que de qualquer maneira, ele não era mais tão especial assim. 
Limpou o rosto, tomou um copo de água, e foi visitar outro, um que pelo pelo menos abria o portão para ela entrar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nosso esconde-esconde

Quando o vi pela primeira vez automaticamente um letreiro gigante apareceu por cima daquele rosto, dizendo com letras grandes e vermelhas: Perigo. Mas todo mundo aqui sabe que eu não dei a mínima para isso. Sorriso solto, jeito simples, típico conquistador, aquele que todas querem por perto ou então longe o suficiente para não se lembrarem da existência.

Eu sei bem como funciona. Eu consigo dizer o que vai acontecer, mas mesmo assim quem importa?
Vamos sair, dançar um pouco, trocar algumas piadas e no fim da noite você vai sorrir na minha porta e dizer que a noite foi agradável, e você vai me olhar nos olhos e depois para os meus lábios, depois disso iremos nos beijar. Meu mundo vai cair, meus muros serão destruídos, borboletas forraram meu estômago.

Mas vamos ser realistas aqui. Você não quer dançar, você quer beber, e depois você vai querer me levar para um lugar onde ninguém irá nós procurar, aquele que eu quero que você me leve. E então você vai fazer todas as coisas que você sempre quis fazer com as outras, coisas que elas nunca quiseram, porque todas elas preferem o beijo no portão, mas eu vou aceitar, vou aceitar porque eu também quero as mesmas coisas que você. Quero uma bebida, um esconderijo, loucuras, quero fugir de tudo que é normal e conveniente. Vamos ficar deitados rindo da cara um do outro e pensando na desculpa que vamos dar para todos depois. Nossas roupas no chão, garrafas na cabeceira. É disso que gostamos.

Vamos sair de lá separados. Cada um pro seu canto. Provavelmente você vai conseguir uma carona e eu irei caminhando... Não é tão longe afinal. As meninas vão comentar de você para mim, e eu vou fingir uma repulsa pelo tipo de cara que você aparenta ser, vou fingir que você é só mais um canalha que provavelmente adora fazer as garotas ficarem babando por aí... E você é mesmo! E também vou estar pensando na próxima desculpa que vou dar quando elas me ligarem marcando de sair e eu estiver com você. E você é claro, vai estar ouvindo seus amigos falando das garotas novas que chegaram, principalmente daquela loira de olhos verdes, você vai concordar e dizer o quanto desejaria estar com ela. Mas na realidade você vai estar pensando em um próximo esconderijo para nós.

Você vai me ligar, vamos nos encontrar escondido. Ninguém vai descobrir, e nós dois adoramos isso. Adoramos esse esconde-esconde que fazemos com o mundo inteiro. Gostamos de criar bagunça.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tarde demais


Fazia alguns meses. Na verdade fazia muito tempo. Tempo suficiente para ninguém se lembrar. Ela não tinha notado que ele estava lá. Ela só ria e falava, falava demais. Contava as novidades e como estava feliz com as coisas que tinha acontecido. Ele a assistia de uma forma que nunca fizera antes. O modo como ela gesticulava e ria olhando para os lados quando estava sem graça, nunca tinha notado.
Começou a pensar sobre ela, sobre todas as coisas que ela jurou sentir por ele um dia e ele nunca retribui. Nunca. Nenhuma mensagem, nem seque um telefonema. Trocava os compromissos com ela por qualquer outro coisa que aparecesse. Qualquer coisa era melhor, ou pelo menos parecia.
Percebeu que enquanto ela falava os caras em volta a reparavam com delicadeza. Eles estavam completamente interessados por ela. Ela não era nem um pouco atraente, não para ele. Na verdade não era até aquele momento.
Outra pessoa começou a falar e falar, ela reparava com cuidado, sorria e concordava ao decorrer da história. O cara sentado ao lado dela pegou a mão dela levemente, ela se virou para ele e sorriu sem graça. O cara apertava lentamente os dedos dela entre os dedos dele. Ela disfarçava umas caretas. Estava gostando.
- O senhor deseja mais alguma coisa?
- Não, obrigado.
E a garçonete levou tudo que restara. Quando olhou para a outra mesa ela já tinha saído com o cara dos dedos.
Pegou seu casaco e saiu. O táxi o deixou na porta de casa, procurou a carteira para pagar, mas não estava mais com ele, não conseguia encontrar.
- Não se preocupe – disse o taxista um pouco velho – acontece às vezes...
- Me desculpe.
- A corrida foi rápida... Deixa isso pra lá, sempre te vejo no bar, na próxima vez cobro essa corrida.
- Obrigado.
E lá se foi o taxista. Ele seguiu até sua porta e quando foi pegar as chaves achou a carteira. Mas já era tarde o taxista já tinha virado a esquina, mas sentiu vontade de correr atrás dele e dar-lhe o dinheiro, sentiu uma vontade imensa de voltar no bar e se desculpar para ela e dizer que tinha sido um idiota esse tempo todo, mas já era tarde, o taxista já estava longe, e ela estava nesse momento se divertindo com o cara dos dedos em algum lugar, e ele ficou.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Não foi pelo tédio...


Os dois estavam sentados, cansados e sem nenhum assunto. Na verdade ambos tinham muitas coisas para dizer, mas era difícil demais, era complicado demais... Por quê? Por que era tão difícil assim apenas falar o que se tem vontade? Nenhum ali sabia, por isso permaneceram calados.
Entreolharam-se algumas vezes, trocaram alguns sorrisos, nada demais e continuaram observando a festa. Todos dançavam... A música era alta, ela não gostava. Estava quente e ela tinha vontade de correr.
- Vou embora... - ele disse finalmente
- Por quê?
- Olhe para isso - ele disse olhando para cada canto do salão - você sabe muito bem que eu e você não queremos estar aqui...
- É verdade - ela disse suspirando.
Mas de repente ele pareceu curioso, muito curioso.
- Se você não queria estar aqui... - ele fez uma pausa enquanto voltava os olhos para ela - por que veio?
E ela não sabia o que falar. Seu corpo paralisou, sua respiração ficou difícil, e ela tentou desviar seu olhar... Olhou para todos os cantos possíveis e imagináveis. O que falar? Nada?
- Sei lá... - finalmente desabou
- Ah sim... - ele suspirou como se não fosse aquilo que ele quisesse ouvir... E realmente não era. - Apenas tédio não é?!
Ela o olhou, e naquele momento ela sentiu uma vontade imensa de dizer o porquê de ela estar ali. Dizer o quanto esperou por aquele dia, e do quanto imaginou as situações. De contar também que foi difícil escolher a roupa, pensar em vários assuntos para chegar ali e não dizer nada. Dizer que pensou em tantas piadas, mas esqueceu do fim de todas. Queria contar também o quanto ele estava bonito, mesmo estando como costumava sempre estar. Contar que sentiu falta de falar com ele nos últimos dias, de receber mensagens aleatórias... Tanta coisa para dizer, tanta coisa presa... Mas ela se virou para ele, sorriu e apenas disse:
- É...

domingo, 16 de setembro de 2012

Finalmente


Estou presa aqui há dias tentando escrever algo coerente... Algo que realmente pareça valer alguma coisa. Mas tudo parece estúpido, e não me parece bom o suficiente. Sufoco-me nos meus pensamentos, nas vontades... Sufoco-me nessa vontade grande de querer falar de você, mas me sufoco mais por não saber o que dizer. Eu não sei, porque as palavras me faltam, e tudo parece insuficiente. 

O que fizestes comigo? Qual é a desse teu efeito que me tirou do mundo real? Eu não sei... Mas gostaria de saber.

Enquanto escrevo sinto uma vontade incontrolável de apagar tudo e recomeçar, e tentar de novo, e tentar, e de alguma forma conseguir chegar lá...

Você entende o que quero dizer? É como você... Eu tento de tantas formas chegar até você, alguma forma de finalmente estar contigo, mas no meio tudo da errado e o que me resta a fazer é voltar e tentar de outra forma chegar lá, finalmente... Há dias vivo esse drama. Eu não sei mais em quem pensar além de você.

Continuo achando uma tremenda estupidez, mas querido entenda... É difícil demais encontrar pessoas como você. E eu não consigo... Eu não consigo... Eu repito as palavras, repito para tentar fixar na minha mente, mas não funciona, não funciona. Repare, só nesse texto repeti tantas sentenças...

Eu devo te esquecer... Eu sei, eu sei. Mas não é fácil não. Se fosse já teria feito. Mas esse teu sorriso... É difícil demais, e eu não quero... Eu não quero.

Deixe-me ficar, só por ficar mesmo... Mas deixe-me aqui.

domingo, 9 de setembro de 2012

Sobre ventiladores e sentimentos abafados


O calor era quase insuportável. A única coisa que me mantinha viva naquele ambiente era o ventilador na minha cara. O vento era abafado, tudo estava abafado. Assim como meus sentimentos, mas uma vez.

E é ai que eu percebo que tenho mania mesmo é de abafar. Sou como um ventilador em um quarto fechado. Sei que estou ali cumprindo a minha missão de girar, girar, girar. Minha intenção ali é refrescar, mas na verdade tudo que eu estou fazendo é tornar tudo mais abafado.

Eu vivo abafando. Tento abafar tudo que é coisa. Logo eu que falo tanto... Pra você ver, mesmo falando tanto, muita coisa ainda fica abafada dentro de mim. E tudo que eu quero dizer, fazer e até mesmo sentir ficam presos no quarto fechado, girando, esquentando, circulando; porém presos.

E sabe qual a única solução para isso? Abrir as portas, as janelas e deixar tudo isso circular. É como nas noites de verão, enquanto você não deixar um vento fresco entrar para circular, você nunca vai conseguir dormir em paz.

Descobri o motivo da minha insônia. Essa noite vou lembrar-me de abrir as portas e as janelas... E da próxima vez que eu te encontrar também. Vou me lembrar de abrir as portas e a janelas e vou deixar tudo isso circular... Vou parar de abafar, e apenas deixar ir... E vou sempre me lembrar: tudo aquilo que o vento leva, ele também pode trazer, nunca se sabe...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sobre saudades


Você me liga depois de um mês sem nos falarmos. Conta às novidades das festas, do sufoco que tem passado com as coisas da faculdade e o trabalho. Reclama do chefe, do professor de alguma matéria que você detesta. Você me conta das garotas do final de semana. Me conta da loira de sexta, da ruiva de sábado e de quebra das duas morenas de domingo. Eu deixo você falar.

Enquanto você fala eu termino de ler aquela matéria da revista, organizo meus livros que não estão na estante e vejo algumas fotos nossas. E você fala...

No meio daquelas histórias horríveis que você me conta, você fala da queda da sua irmãzinha, e eu sinto uma pena enorme. Você fala das brigas constantes dos seus pais, e fala do quanto está se esforçando para conseguir um apartamento mais barato. E então eu vejo a profundidade que nossa conversa está tomando dessa vez.

Você fala da bagunça que anda as coisas.

Você suspira, e agora eu sei que é minha vez de falar. Mas antes do meu primeiro desabafo você solta:
- Estou morrendo de saudades.

E toda possibilidade de uma conversa acaba. Eu quero que você volte a falar, falar, falar... Eu quero ficar ouvindo sua voz resmungando da vida, do cabelo, da casa, dos pais, do trabalho... De qualquer coisa. Quero ouvir suas piadas ruins, de como é incrível aquele jogo que lançou essa semana e quero ouvir até sobre as mulheres.

E então tudo que eu digo é:
- Eu também querido, eu também...

E naquele momento surge um silêncio entre nós. Não temos o que falar, aquele momento seria o momento que estaríamos nos abraçando bem apertado e quem sabe até chorando (eu estaria pelo menos). Aquele era o momento que nós percebíamos o quanto realmente precisamos um do outro.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quando a gente lembra que esqueceu

Hoje eu levantei e o dia esta lindo. O sol brilhava, e eu tive vontade de sorrir. Entrei no carro e aquela música começou a tocar... Sabia que conhecia aquela canção, fiquei repetindo na minha cabeça o refrão, mas não lembrava.
Sorri para o carteiro, o jornaleiro, o padeiro, e até para as pessoas que me olhavam na rua. Me deu vontade.

Comprei algumas coisas para casa, umas roupas, e passei em frente aquela lanchonete... Aquela que eu não conseguia lembrar também. Tinha algo falho nas minhas memórias, a música e agora a lanchonete... Prossegui com meu dia.

Voltei para o carro e aquela música ainda tocava, mas não lembrava... Li e respondi algumas mensagens... Nada demais. Coloquei a música para repetir, mas não tinha jeito, não lembrava. Ao chegar em casa me deparei com uma agenda velha, tinha um desenho estranho... Não me lembrava também, para variar. Não devia ser tão importante.

Então recebi uma mensagem: "me encontre na lanchonete". Então eu fui. Dei tantas risadas, e lembrei de algumas coisas vagas, mas então um casal chegou comentando do famoso sorvete de pistache daquele lugar. Então lembrei de tudo...

Lembrei do pôr-do-sol, daquela música no violão, lembrei do teu sorvete preferido, lembrei das mensagens que você nunca respondia, e lembrei o que significava o desenho estranho. Mas eu não lembrei de uma coisa... Uma coisa eu havia esquecido. Eu esqueci da sensação que me dava ao lembrar de todas essas coisas...

E finalmente eu descobri o que estava me faltando na memória... faltava você. Mas não me lembro por onde deixei aqueles sentimentos. Acabou. Agora essas coisas não são importantes...
Agora tenho outras músicas para ouvir, outros sorvetes para tomar, mensagens respondidas, e recebo alguns bilhetes normais com assinaturas... E a lua me parece mais interessante agora.

Meu acompanhante sorriu e me deu a mão. Saí daquela lanchonete com novas histórias para me lembrar um dia, e a música que estava tocando era tão boa, e a lua estava tão bonita... Vou tentar não esquecer dessa vez...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fique

Era tudo muito novo, e minha mente não conseguia assimilar todas as coisas muito bem. Não consegui compreender o que estava realmente acontecendo naquele momento. Ah meu bem, como eu queria conseguir compreender todas essas coisas que você deixa a subentender.

Somos crianças, crianças que buscam apenas seus espaços nesse mundo... Crianças querendo encontrar a felicidade prometida, o ouro no fim do arco-íris... Mas querido, me disseram que essas coisas não existem... Disseram-me que essa tal felicidade não é real, e eu até chego a acreditar. Porém, quando você sorri e me aperta forte, querido, eu não sei, mas isso me parece tão real, e então por um momento ouso dizer que sei o que é felicidade.

Então eu te peço, senta aqui. Me abraça, me aperta, me conserta, me desmonta, mas fica aqui comigo. 
Eu não tenho muito pra dizer, mas quero que tudo pareça suficiente... Vamos devagar, o mundo é tão grande, e temos todo tempo que precisarmos, temos muitas coisas para viver ainda... Fique.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Me desculpa... Mais uma vez


Querido, me desculpa... Mas é que às vezes eu me canso. Me canso de você, dessas músicas, dessa rotina, de mim... Veja bem, não é por mal, mas acontece... Essas coisas acontecem e precisamos nos acostumar. Na verdade você precisa. Eu já estou acostumada com minhas mudanças, eu sei me achar nessa bagunça. Mas você não querido, você é um inocente perdido nessa guerra que eu chamo de emoções. Você é um cego no tiroteio dos meus sentimentos. Me desculpa... Eu sei, eu fico repetindo isso o tempo todo, parece até que eu realmente não me importo... Na verdade, não me importo às vezes... Mas com você querido, eu me importo... Me desculpa, me desculpa, me desculpa... mais uma vez.
Eu te abandonei antes mesmo de te encontrar. Meu amor por você acabou antes mesmo de começar, e eu não queria que fosse assim, eu juro... Eu estava me esforçando, estava indo bem. Tinha aquelas borboletas, sorrisos bobos, e um desespero quando via que você estava por perto. Mas agora você se tornou invisível, como todos os outros.
Essa semana estou sem meus fones, e percebi que ando mais distraída sem eles... Percebi que o silêncio em minha mente me confunde... Me deixa confusa... Estou pensando em parafusos e de repente penso em você, mas depois eu já estou pensando em macarrão, e na relação do macarrão com parafusos. E você fica vago novamente. Você se tornou mais uma peça, apenas mais uma bagunça na minha mente confusa.
Eu não sei se você já ouviu aquela história "Curar um amor com outro é que nem se enxugar em toalha molhada.". Então querido. É exatamente isso... Você não passou de uma toalha molhada, mas, por favor, não se sinta como tal... Você é tão especial, e diferente. E eu sou uma tola. Desculpa.
Acho que no fundo eu sempre soube... Eu sou assim querido. Me desculpa. Mais uma vez.

domingo, 12 de agosto de 2012

Tão simples, se você tentar

O que você espera tanto para ser feliz? Porque é tão difícil ser feliz agora para você? Qual é o grande problema?
Você tem uma vida apenas, e quando essa sua única chance acabar, meu amigo... Já era! Sua vida vai passar e você vai ficar ai sentado eternamente reclamando da sua felicidade que nunca veio? Que coisa chata em?!

Sei que é a coisa mais clichê de se falar: "vá buscar sua felicidade". Parece frases feitas por pessoas que tão pouco se fodendo importando com o que você pensa... E isso é verdade. Porque ninguém liga para a droga da sua felicidade, a não ser você mesmo. Você se importa tanto com ela que no fundo nunca é feliz. E se continuar dessa maneira nunca será.

Felicidade primeiramente é não se preocupar. Então porque diabos você fica querendo que ela venha logo? Fica ai reclamando da falta dela nas redes sociais, e para seus amigos mais próximos ao invés de chama-los para ir tomar um sorvete, ou para um barzinho, até mesmo para um show qualquer.

Fica achando também que alguém vai te falar feliz. Que só vai ser feliz quando encontrar alguém... Mas que coisa em? Se você acha que só vai poder ser feliz mesmo quando alguém do sexo oposto (ou do mesmo sexo, vai saber sua preferencia sexual não é mesmo?!) aparecer na sua vida... Meu querido, eu tenho pena de você. Pena porque você vai ficar ai, acreditando nisso. E um dia você vai encontrar essa pessoa que você acreditava tanto que iria te fazer feliz, e quando você estiver com essa pessoa, vai rezar para que ela suma da sua vida...

Ah meu querido ou minha querida... Se você soubesse o quanto a vida é curta, já estaria sorrindo por aí. Já teria coloca sua melhor roupa e saído por aí distribuindo sorriso e dando bom dia até para o carteiro.
E aprende de uma vez que felicidade é uma coisa tão simples, você é que complica.

P.S essa última frase foi uma frase feita por alguém que não se importa com você de verdade, mas pelo menos está querendo que você acorde dessa sua vida e vá ser feliz.
P.S 2 esse texto é a coisa mais horrível e auto-ajuda que eu já escrevi (ou não), porém mais verdadeiro que isso para mim, impossível.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Possibilidades


Ela levantou cedo. enquanto ele dormia tranquilamente depois da noite agitada que tiveram. Ela olhou para o rosto dele e sentiu uma vontade enorme de rir alto, mas apenas sorriu e levantou. Recolheu o resto de suas roupas que estava no chão e foi até o espelho. Maquiagem borrada, cabelo bagunçado. Ela continuou sorrindo.
Aquilo estava virando um ritual. Cada dia um espelho diferente, uma manhã diferente. Enquanto se olhava naquele espelho pensou o que aconteceria se pela primeira vez não levantasse. Se deixasse que ele a acordasse. Lembrou-se do que as amigas viviam dizendo... Elas odiavam a vida que ela estava levando...
Queria ficar só pela curiosidade, pois sabia que se fosse embora ele jamais ligaria, e ela também não. Então voltou devagar para o quarto e o viu deitado novamente, encostou-se  na porta e ficou apenas observando.
- Você já decidiu?
Ela se assustou com o comentário repentino, e ele sorriu percebendo o susto. Lentamente ele foi abrindo os olhos enquanto automaticamente cobria-os com as mãos.
- Decidi o que?
- Se vai jogar suas roupas novamente no chão e voltar pra cama ou ir embora como se nada tivesse acontecido...
- Como... - ela riu dela mesmo - como assim?
- O que você decidiu?
- O que você acha que devo fazer?
- Olha... - Ele suspirou e foi se arrumando na cama - você pode colocar uma camisa minha que está no chão. Vá até o banheiro tira esse resto de maquiagem e volte... Acordaremos daqui umas três horas e você pode preparar um café, ou eu... Sei lá.
Ela sorriu, foi até a cama deu um beijo leve no rosto dele. E saiu de fininho. Antes de cruzar a porta do quarto se virou e sussurrou:
- Prefiro a versão que você finge que não me viu levantar, acorda agradecendo por uma noite maravilhosa e por uma dor de cabeça a menos na sua vida.
E assim ela se foi. E jogou fora mais uma possibilidade de ter a vida que todos queriam que ela tivesse.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Querida,


seu rosto é tão lindo quando você sorri, sua pele branca combina com aquele batom rosa que você passa de vez em quando para se sentir mais bonita. Funciona.

Adoro quando você sai com aquele seu tênis mais velho. Confortável, imagino. Você parece se sentir mais confiante. Você é tão simples, e tão complicada. Sai com esse teu cabelo todo despenteado e gosta. Elas queriam ser como você. Acho que todas elas querem sair despenteadas um dia e se sentirem bonitas como você se sente.

Ah menina, você se encosta e fica olhando para o nada, e pensa... Quando conversa está sempre tentando observar tudo, você parece desesperada, mas é um jeito tão teu. Seus olhos ficam viajando nos olhos das outras pessoas, nos sorrisos, tentando descobrir os motivos delas. Mas de repente você me olha. Você me olha e para ali, e sorri. Fala algumas coisas, mas eu parei de pensar no momento que você soltou esse sorriso. Você parece perceber e volta a olhar para os outros enquanto fica vermelha. E eu acho tão lindo... Se você soubesse.

Isso deve estar péssimo, mas não me importa, do jeito que você é boba vai adorar, e vai sorrir agora, quem nem uma idiota... Deve estar linda.

É tanta coisa que eu quero lhe dizer, tanta coisa para compartilharmos, mas agora é só o começo, e é tudo novo... Deixa acontecer, mas não para de sorrir... Eu adoro.

Com carinho,
Seu querido...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ladrãozinho

O que você quer de mim afinal? Você chega assim, de mansinho, com esse teu jeito de ladrãozinho achando que vai me ganhar...
Meu bem não é fácil assim, vem devagar, me embala nesse teu som, nessa tua voz doce, me embala nesse teu colo e me bota para dormir menino...
Me deita de mansinho, me faz um carinho, diz aquelas coisas que você sabe que eu quero ouvir, e me faz sorrir...
Me veja adormecer lentamente, me conta uma história, me canta uma música ou me tira para dançar de vez...
Faça tudo diferente. Me surpreenda, me encanta, me desencanta, mas vem...
Vem como tiro de festim, vem sorrindo, vem rápido, vem pra mim... E vamos festejar, festejar fingindo que nossa festa não tem hora para acabar.
Vamos fazer o nosso carnaval... Vamos deixar rolar... Vamos ser feliz... Uma vez.

domingo, 15 de julho de 2012

Serei seu barco


A música estava tocando deixando o clima melhor. Era minha música favorita, e ele sabia disso. Estávamos muito distante do mundo, estávamos no nosso mundo. Era algo surreal, algo que sinceramente valeria a pena durar para sempre, mas ambos sabíamos que isso não iria acontecer... Sabíamos que o tempo ia passar, e um dia eu não iria mais querer nem olhar para a cara dele. Mas agora aquele rosto era o mais lindo, aquele sorriso era um farol pra mim... Ele era meu porto, mas mesmo assim ele sabia que eu fui feita para o alto mar.
Ele era como o sol no domingo frio, como um beijo na chuva, como um banho gelado de mar no verão. Ele era todas as coisas boas juntas.
Aquela sensação... Porque teria que acabar? Por que nada é para sempre... Aquela frase girava na minha cabeça, rodava na minha mente...
Ele me olhou nos olhos e sorriu. E eu soube que ele seria meu farol quando eu estivesse em alto mar, ele me guiaria de volta para o porto. Eu sei... Depois da tempestade, ele ia ser o sol, o porto, o farol... Ele seria o que eu precisasse que ele fosse. Então eu me acalmei. Não tinha com o que me preocupar. Estávamos juntos agora, e o nosso para sempre iria durar quanto tempo nós precisássemos... E isso era nossa única certeza.

Maldito marca texto


Você tinha algo sobre mim, algo que eu, que eu juro... nunca ninguém teve antes. Eu tinha sonhos, planos, metas... Mas você chegou no meio disso. Você me bagunçou, me virou do avesso, me colocou na parede e me fez mudar tudo. 
Mudei. 
Eu te queria perto, eu te queria do meu lado, todos os dias... Todo santo e infernal dia.
Sorrisos falsos, conversas falsas, relógio atento, 8:00... Cadê você? Hoje não... E foi assim: longos e longos dias. Maldito relógio...
Eu tinha uma raiva, um ódio. Porque tão distante, porque tão longe, por quê?
E ai você aparecia, desajeitado, com sono, e com vontade de ir embora. E eu sorria, olhava, esbanjava alegria... Mesmo com tudo dando errado, você era uma esperança... Mas que esperança?!
Eu não sei, mas naquele meio todo você se destacava. Você era as frases com marca texto no livro da minha vida.
E agora?
Agora você está longe, mesmo morando aqui tão perto. Agora não nos falamos, mesmo tendo prometido que seriamos amigos. Agora nem te ligo, mesmo sendo sempre a pessoa que liga.
E agora, de verdade? 
Tanto faz...
Somos opostos, estranhos, água e óleo. 
Que saudade, que saudade, que saudade...
Eu estou uma bagunça, tudo está uma bagunça, isso está uma bagunça.
Só eu posso organizar... Mas eu quero ficar aqui, eu quero... 
Adeus. Mais uma vez...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Resenha: Lugar Nenhum - Neil Gaiman

Então galera, como vocês devem ter vistos nas abas do blog agora teremos resenhas de livros (finalmente!). Então para começar essa seção vou falar um pouco de um dos melhores livros que li nos últimos tempos, claro que seria do Neil, um dos melhores autores da atualidade.


O livro conta a história de Richard Mayhew, um escocês que se 
muda para Londres. Lá ele vive uma vida comum, tem um ótimo emprego, uma noiva, e um apartamento. Até ele ajudar uma garota que encontra ferida na rua. Door, uma garota totalmente diferente, e estranha para Richard. A partir do momento que ele a ajuda, o mundo de Richard vira de ponta cabeça, e ele passa a ficar "invisível", e então começa a aventura. Richard descobre que Londres não é só aquilo que ele conhecia, ele descobre uma nova Londres, conhecida como Londres de baixo. Na tentativa de recuperar sua vida de volta, Richard se junta com Door e outros companheiros para tentar descobrir os assassinos da família de Door.

domingo, 1 de julho de 2012

Bem mais do que estrelas cadentes


- O tempo está acabando...
- Ainda temos a noite inteira.
- Eu estou cansada.
- Por favor, não durma. Depois disso você sabe... tudo vai acabar.
- Eu não sei se posso aguentar tudo isso.
- Ficar acordada?
- Não... - ela suspirou - ter que te deixar partir.
- Nós precisamos...
- Você precisa!
- Não deixe as coisas mais complicadas querida - ele a abraçou forte - você sabe o quanto eu quero ficar. Ficaria para sempre se pudesse...
- Mas não pode... - ela estava com o rosto contra o peito dele, e novamente estava chorando - E acho que nunca vai poder...
- Um dia meu bem, um dia estaremos juntos... - ele suspirou enquanto via-a chorar novamente - por favor, pare com isso.
- Será? Será que estaremos juntos novamente algum dia?
- Descanse... 
- Eu não quero...
- Você precisa...
- Você não vai estar aqui quando eu acordar vai?
- Você sabe... - ela o beijou antes que ele continuasse.
- Shiiiiu... Esquece.
Ela olhou para janela e viu uma estrela cadente, virou e sorriu para ele. Ambos fizeram o mesmo pedido. Mas os dois sabiam que nem mesmo uma chuva de estrelas cadentes iria ajuda-los no momento, mas não custava tentar.

domingo, 24 de junho de 2012

Francis


Você vem, mas é como se não estivesse aqui de verdade. Seu olhar é tão vago, seu sorriso é tão falso querido. Por quê? Você parece nem prestar atenção nas histórias que eu conto, parece tão longe... Francis onde você está realmente? Em que mundo se perdeu meu amor? Em que lugar deixou sua mente? Será que pensa em outra? Será que tens outra amada? Ah Francis, não faça isso comigo. Converse comigo, me conte, me mostre, me faça acreditar, me faça ver esse teu amor, me faça sentir esse amor...
Francis, porque seu abraço é tão leve? Porque não me aperta forte? Porque não conversa olhando em meus olhos? Querido, você está vazio, não consigo ver nada em você... Nem alegria, nem tristeza, nada... O que acontece? O que te incomoda? O que te assusta? Do que foges tanto querido? Eu estou aqui, por você, não há razão para temer...
Francis, você tem tanto a dizer, a fazer, porque fugir? Porque esconder... Estou aqui. Estou aqui por você, pra você...
Francis é uma música da cantora francesa Coeur de Pirate, se gostou do post, confira a música que está em destaque na música da semana.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Uma chance

- Venha comigo, vai ser legal.
- Pelo amor de deus eu já disse que não quero... Estou bem aqui, confortável, tranquila, EM PAZ!
- Você é muito chata! - ele bufou e sentou do lado dela logo no momento em que ela acreditou que ele iria deixa-la em paz.
Eles ficaram em silêncio e ela tentou voltar sua atenção para o livro, mas ele encostou a cabeça no ombro dela tentando ver o que ela estava lendo.
- O que você quer?
- Não posso nem ver o seu livro agora é?
- Você não gosta de ler!
- E daí? Eu quero ver...
Ela levantou irritada demais para continuar aquilo.
- O que você quer? O que você quer de verdade? Você está aqui esse tempo todo, viu que eu não quero ir para lugar nenhum, viu que eu não passo de uma chata, qual é?
Ele levantou em silêncio e devagar, por um minuto ela achou que ele iria beijar ela, mas isso não aconteceu. Ele suspirou e virou as costas.
- Então tudo bem...
Ele começou a se afastar, e ela sentiu uma enorme vontade de chamar ele de volta. Mas não tinha coragem para isso... Mas antes mesmo dela chamar ele se virou:
- Vamos? É só uma festa.
- Mas vão ter várias pessoas, mulheres inclusive...
- Você não entende? Não é pelas pessoas, pelas mulheres... É por você...
De repente a única coisa que ela queria fazer era sair correndo dali com ele, para sempre. Precisava correr... Mas nesse caso, dela mesma.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Algo para se lembrar.


Eles estavam lá, envolvidos naquele clima, envolvidos nas suas histórias, nas suas cicatrizes, estavam unidos pela dor. A dor da perda. A perda que cada um teve em particular.
Ela estava mais envolvida, com toda certeza. Era claro a paixão dela por ele naquele momento. Não que ele estivesse menos envolvido, mas ele não sabia demonstrar os sentimentos - consequências de sua perda -, não sabia como fazer aquilo, mas queria.
Era ela que o envolvia, era ela que conduzia aquele momento, ela percebeu o desanimo nos olhos vagos dele e parou. Não tinha motivos para continuar... Era melhor a solidão do que aquilo. Não precisava de pessoas vazias. Queria ele justamente para fugir das pessoas vazias que a cercava. Mas lá estava, mais um vazio, mais um como as garrafas de vinho no chão. Ela encostou ao lado dele, e ficou lá, tentando se esvaziar de tudo aquilo que sentia.
- O que foi?
- Nada, acho que não estou mais a fim... - ela suspirou e levantou... Grande mentira! Aquilo era tudo que ela queria.
Foi até o armário e pegou outra garrafa. A última. Tentou abrir, mas sabia que seu esforço era em vão, não tinha forças para tirar aquela rolha.
- Me deixa abrir... - Ele se levantou e foi se aproximando dela, ficou realmente perto, retirou a garrafa da mão dela devagar e colocou no balcão ao lado. Ela o olhou curiosa. Por que aquilo agora?
Ele percebeu a inquietação dela, e respondeu todas aquelas duvidas dela com uma ação: encostou a garota no balcão e começou a beija-la devagar, começou a envolvê-la como nunca havia feito com outra. Era isso, era isso que tinha que fazer. Não precisava de mais uma noite falsa, embriagado ou fingindo não estar interessado, não precisa de uma noite que ele não se lembraria. Queria que fosse diferente. Dessa vez queria se lembrar.

domingo, 3 de junho de 2012

O mesmo de sempre


Estava um pouco nostálgica e aliviada ao mesmo tempo.  Só ouvindo certas músicas e lembrando-se de sensações antigas... Não pensava em ninguém necessariamente, mas como se fosse a primeira vez em anos sentia falta das pessoas que costumava conversar antigamente. Tudo tinha ficado chato, já não era mais novidade. E então ela queria mudar tudo, como sempre. Lembrou-se que em certo tempo tinha muita dificuldade com começos em geral, mas agora tinha dificuldade de fazer as coisas durarem. Queria sempre recomeçar, recomeçar e recomeçar até algo finalmente dar certo e ser como ela esperava. Claro que isso nunca iria dar certo, mas ela gostava de imaginar como as coisas poderiam acontecer.
 Ela adorava fazer isso. Imaginar. Mas tudo estava chato demais e até planejar o futuro ou novos começos estava ficando exaustivo. Queria deixar as coisas menos chatas. Queria tanta coisa. Ficava pensando se todo mundo é tão igual como dizem... porque as pessoas que ela conhece são tão diferentes...
No fundo sabia que só estava cansada. Como sempre cansada. Isso realmente a deixava mais cansada, mas era a vida... Ela teria que se acostumar ou então se acostumar

sábado, 26 de maio de 2012

Alice: impossível de explicar - Fim

O telefone tocou. Eu estava terminando de arrumar a bolsa. Como de costume atendi no quarto toque:
- Alô?
- Preciso te ver, hoje!
- Alice?
- Por favor...
- Me desculpe Alice, mas não. Hoje eu não posso...
- Por quê? Vamos nos ver, eu vou ai... Chego em meia hora, e aí a.... - Tive que interrompê-la
- Olha Alice... Me desculpa, mesmo ok?! - respirei fundo - Mas não dá, estou de saída agora. Te ligo em breve, prometo, e a gente marca um café ou sei lá. Preciso ir agora.
E desliguei.
Já tinha me decidido, não ia mudar de ideia. Várias vezes acreditei que Alice me deixaria, e ela realmente me deixou. Mas desde o começo sabia que ela voltaria.
Sempre pensei nela partindo e finalmente percebi que no final, não era ela que sempre queria ir embora, era eu. O tempo todo era eu. Na verdade nem sei se quis realmente tudo isso. Alice era incrível, isso eu jamais poderia negar. Mas Alice não era pra mim. Quem sabe Alice era perfeita para aquele meu amigo que ela ficou dia desses... Talvez. Mas não era pra mim. Criei uma Alice em minha cabeça, mas essa não era a verdadeira Alice, era a Alice que eu queria que ela fosse. E isso não estava mais certo. Talvez Alice nem fosse tão diferente. O mundo está cheio de Alices, estão espalhadas por toda a parte. Uma delas pode ser pra mim, mas essa não.
Ela não vai sofrer, eu sei disso. Ela vai sair hoje, vai passear de bicicleta pela cidade, e mais tarde vai ir dançar, e de repente vai notar outro cara como eu olhando para ela, e vai tentar algo com ele na tentativa de me esquecer, e tudo isso vai acontecer de novo. Ou pode ser que de repente sua bicicleta quebre no meio do percurso e ela acabe conhecendo um João que conserta bicicletas e não gosta de copos também. E ai ele vai leva-la para dançar. E quem sabe se casem um dia...
Nunca se sabe não é mesmo? A vida é assim mesmo, cheia de surpresas, de encantos e principalmente desencantos, tudo isso é impossível de explicar, mas cada um sabe o que sente, no fundo sempre sabemos... 
Quem sabe a sua Alice ou o seu João está por aí?! Bora pegue sua bicicleta e vá ir dançar mais tarde. Afinal o mundo não pode esperar por você.
Peguei o resto das coisas e sai apressado. Não queria perder o meu voo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Alice: impossível de explicar - Parte 1


Alice estava sozinha, não só naquele momento, mas para sempre talvez. Tirou Josh de sua vida do mesmo modo que o colocou: rápido. Não queria fazer isso. Não queria mais que ninguém sofresse por ela, ou com ela. Queria ser só. Queria andar por aí livre, e poder chorar, rir, se divertir sozinha sem tem que dizer o porquê para ninguém. 
Desde sempre fora assim. Ela sempre tirava de sua vida as pessoas que julgava importante, porque sabia que na verdade elas não eram nem um pouco importante.
Sentia-se mal por ter se aproximado tanto de Josh. Sabia que ele realmente gostava dela, mas ela não sabia o que sentia por ele. Na verdade nunca soube o que sentia por ninguém. Não gostava da ideia de ter que rotular as coisas, principalmente sentimentos. Ninguém pode explicar o que sente, é impossível. Alice nunca quis explicar nada... Ela era apenas ela, seu jeito, suas coisas, sua vida. Mas as pessoas insistiam em querer chegar perto. Ela não tinha culpa alguma.
Ela começou a chorar de repente. Chorou porque estava sozinha, e porque gostava disso; chorou porque não conseguia manter as pessoas por perto; chorou simplesmente porque não sabia definir o que sentia pelo cara mais legal que conhecera; chorou porque teve que chorar... Porque sorrir já estava se tornando comum de mais... Chorou para variar um pouco; Chorou porque queria, porque precisava.
Virou para o lado e viu o telefone. Discou o número dele, ele atenderia no quarto toque. Assim feito. Ele atendeu:
- Alô? 
- Preciso te ver, hoje.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sobre prolongar

Estava sozinha pensando em nada, como de costume, engraçado como isso sempre ocorria. Tudo que lembrava de sentir era o quanto estava com saudades, mas afinal, do que era mesmo que ela sentia falta? Era dele? Não. Não era exatamente dele, talvez fosse. 
Tudo mudou, e ela sabia, sabia que ele nunca ia ligar, nem mandar aquela mensagem que ela tanto esperava, a não ser que fosse fim de ano e ele tivesse vontade de escrever só pra dizer que está na praia, mas que lembrou que era fim de ano e precisava partilhar aquela falsidade de "tenha um ano feliz". E agora mesmo com tudo diferente ele ia continuar não ligando... E então o que ela fez de errado? Simplesmente escolheu o cara errado.
Claro, poderia ter escolhido um desses garotos clichês que falam coisas bonitas no começo, te iludem, e depois somem e você sofre. Mas não, se iludiu por um que não fez absolutamente nada, apenas existiu. E ela sempre se perguntava por quê.
Todo dia estava disposta a mudar, um novo estilo, um novo cabelo, um novo livro, um novo qualquer coisa, só pra mudar mesmo, só pra ter a sensação de que conseguia mudar alguma coisa, menos o que ela mais queria que mudasse.
Percebeu que já não estava mais pensando em nada, pensava nele. Era ele. Droga. O que ela queria mudar? Ela queria aquela bagunça pra ela, não a falsa organização que inventou. Porque afinal, foi por aquilo que ela se encantou. Aquela bagunça em forma humana, desajeitado, desprevenido, desprovido de qualquer tipo de beleza. Mas era aquilo. Era. Não podia ser mais.
No fundo sabia que só estava prolongando seus sentimentos, ou talvez só se defendendo de caras clichês pensando no único que era diferente, no único que não mandaria uma mensagem dizendo "quero te ver hoje" e amanhã sumiria. No único que não mandaria nenhuma mensagem hoje e de qualquer forma ia sumir amanhã, e depois, e por todo resto do ano feliz. Até um dia de repente encontra-lo na rua e ver que sentiu saudade, e ai parar pra conversar, e ai pronto. Prolongar... E ver que ele é um daqueles tipos difíceis de esquecer.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Alice: Nada


Ela desapareceu. Sumiu tão rápido quanto apareceu. Eu procurei por ela em todos os lugares que ela poderia estar... E nessa procura descobri o quanto não sei sobre Alice. Ela me conhece tão bem, sabe meus lugares favoritos, onde meus pais vivem, onde eu trabalho, os únicos bares que frequento, até a livraria que eu costumo ir às quintas feiras à tarde. Ela sabe até o jeito que gosto de organizar meus CDs, meus sapatos... Até o jeito que gosto de deixar minha escova de dente.
Mas e eu? O que sei sobre ela? Sei onde ela mora, é claro. Mas de onde ela realmente veio? Em qual a cidade cresceu? Onde ela costuma ir as quintas feiras enquanto estou na livraria? Nada. Não sei nada. Na verdade sabia da mania das canecas, e da dança. Alice gostava de dançar, dançava o tempo todo...
Tentei ligar novamente. Nada como sempre.
Parece que foi tudo um sonho, parece que ela nunca esteve realmente aqui comigo. E se ela realmente nunca esteve? 
A porta fez um barulho, e meu coração parou.
- Alice?!
Era só o vento.

Continue lendo Alice.

terça-feira, 1 de maio de 2012

E agora?


Começamos errado. Começamos errado acreditando na promessa do tempo, na promessa de que chegaríamos à perfeição um dia. Começamos de uma maneira que ninguém nesse mundo vai entender, mas nós, lá dentro, nós sabemos o que começamos. Deixamos o tempo agir, deixamos passar, e esquecemos que tínhamos acabado de começar. Achamos que o tempo ia consertar, ou o tempo ia resolver tudo. Mas então finalmente descobrimos que não é o tempo que faz algo, e sim, nós. O tempo nos deixa mais forte, mais preparados, o tempo nos amadurece e a partir disso mudamos o que está a nossa volta, mudamos nosso comportamento, nossos relacionamentos, mudamos tudo. Mas esquecemos disso. Deixamos passar e esquecemos que tínhamos algo para consertar. Ficou quebrado, por muito tempo, e agora chegou o momento que precisamos disso, mas onde está? Está lá, em um canto, destruído, o tempo só o deixou pior. Precisamos consertar, mas estamos longe demais pra isso. Poderia ser lindo, poderia ser ótimo, poderia ser perfeito, mas é só mais uma bagunça em nossas vidas. E agora eu te pergunto: consertar ou jogar fora? Porque sinceramente eu não estou mais conseguindo viver com essa bagunça entre nós...

domingo, 22 de abril de 2012

Alguém

E daí se sou assim? Sempre fui. E daí se quero rir e chorar ao mesmo tempo? Me deixe. Quero andar por ai chorando, quero que me olhem e sintam uma pena enorme, e depois virar as costas e rir tão alto da cara de todo mundo que acabo voltando a chorar. E daí se não sei sonhar, mas mesmo assim quero encontrar o caro dos meus sonhos numa livraria com meu livro preferido em mãos? E daí? Ora essa, me esquece. 
Quero ficar por aí, sabe de bobeira? Escutando minhas músicas, e gritando qualquer besteira pra quem quiser ouvir. É, eu queria gritar... Bem alto sabe? Pra todo mundo ouvir. Nada de "eu te amo" ou "minha vida é você", nada disso! Queria ficar gritando palavras aleatórias e estranhas do tipo "INAPETENTE" ou "FITOPLÂNCTON". E depois colocar uma música alta e dançar sozinha, e chorar, e sorrir, e cair...
Quero um carinho no pé do ouvido, alguém colocando meu cabelo atrás da orelha e beijar meu olho. Alguém me abraçando de mansinho me levando pra dançar, ou só pra ficar abraçado mesmo. Alguém que não solte. Alguém que grite alto comigo me dizendo o quão louca eu estou. Alguém que fale que eu não falo nada com nada, mas que entende tudo. Que ri de mim depois de me dar o maior sermão. Alguém que vá embora, e que realmente vale a pena sentir uma tremenda falta. Alguém que você chore por tal, mas te proporciona o melhor sorriso do mundo. 
Acho que quero alguém, diferente de todos que eu não tive, e de todos que eu talvez tive, e diferente de tudo que um dia eu vou ter. Alguém cheio de defeitos, piores do que o meu, mas que seja  a pessoa mais engraçada do mundo. Alguém que faça valer a pena sair de casa mesmo estando com a maior cólica da vida.
Só quero alguém me me abrace e fiquei aqui em dias como este. Que não dizem nada, apenas abraça mais forte, e mais forte, e mais forte... E aí acaba, ou começa... Sei lá, me deixa vai...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não sei viver nesse jardim


"Querido, essa manhã eu acordei e eu não sabia. Ah querido, eu acordei sem saber simplesmente. Acordei sem saber de nós, sem saber de mim, sem saber de você, sem saber do mundo. Acordei com vontade de não saber e prosseguir com isso. Prosseguir com o não saber, mas sem você. Deixei para ti essa rosa, logo irá morrer. Tirei-lhe a vida querido, matei esta rosa para mostrar-te meu amor, então cuide-a, trate-a, pois seus dias estão contados por minha causa. Estou sofrendo por ela e por nós. Sinto-me uma rosa fora da roseira. Estou fora meu bem, e com os dias contados. Assim como todos estão...
 Mas deixe-me dizer o quanto te amei. Ah querido, como amei... Amei-te a ponto de tirar a vida de uma pobre rosa, que nada me fez. E concluo que sou tua rosa querida. E assim como esta, sinto-me arrancada de minha roseira. Então apenas me deixe voltar, voltar para onde eu conseguia florescer. Não sei viver no teu jardim de girassóis, mas tentei..."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Alice: Agora


- Às vezes eu queria sumir sabe? - Alice voava em seus pensamentos enquanto falava comigo - Queria ir para um lugar longe, e ficar lá, só ficar lá...
- Mas ficar lá fazendo o que Alice? - perguntei um tanto quanto curioso.
- Ah sei lá... - Ela disse percebendo a graça daquela palavra enquanto sorria em minha direção. - Fazendo nada mesmo, apenas pensando, ou ficar deitada. Isso ficar deitada em um daqueles lugares bonitos, sem precisar fazer nada. Apenas pensar...
- E em que você pensaria meu bem? – dizia enquanto acariciava os longos cabelos da minha pequena.
- Ah que pergunta difícil. - a graça das palavras ia surgindo e junto dela o sorriso de Alice. - Poderíamos pensar em tantas coisas.
- Poderíamos? - disse rindo ao perceber que estava incluso nessa "viagem" - Eu estaria lá com você Alice?
- Por que não estaria querido?! - ela estava surpresa. Pela primeira vez vi Alice surpresa. Ela não havia perguntado, mas afirmado também... Não sei ao certo como explicar. Mas Alice estava diferente, tudo estava diferente, até aquele sorriso. Tudo estava mais bonito, mas colorido... Eu sei, eu sei, pareço um idiota dizendo essas coisas, mas é porque realmente era o estado da situação.
- Você quer saber o que eu queria? - Ela encheu os olhos para prestar atenção enquanto balançava as mãos ao som da música que tocava ao fundo. - Queria não. Quero! Quero que esse momento dure. Dure o quanto poder. Eu não quero perder isso Alice. Eu não quero perder você...
- Eu estou aqui agora querido...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Sobre saber ou não


Há dias estou tentando escrever, estou tentando esquecer, estou tentando, sempre tentando, mas nunca realmente conseguindo. Tanta coisa pra dizer, tanta coisa pra não pensar, tanto tudo pra parar... Desistir é tão fácil, mas esquecer não... E não adianta, você quer, mas você não consegue. E assim você vai vivendo, e lembrando, e querendo, e sempre não tentando. Tem sido assim, e não faço ideia de até quando será. Não quero. É claro que não quero, mas insisto, mas estou aqui, mas infelizmente eu não esqueci...
Eu inventei tudo, deixei tudo mais bonito, mais brilhante, e até mais limpo, mas não deixei mais fácil... Não deixei escolha. O que realmente estamos fazendo aqui? O que queremos de verdade? Lá no fundo ambos sabemos que não sabemos de nada... E nunca iremos realmente saber, mas um dia acordaremos, e lá no fundo teremos vontade, e finalmente vamos fazer algo, e mudar, e fazer diferente. E depois tudo será lembrança. Lembranças engraçadas, tristes, idiotas, mas serão apenas lembranças...
Deixa-me explicar, hoje eu acordei com vontade, mas me diga o que devo fazer? O que preciso mudar? O que tem que ser diferente?
Chega de músicas, cócegas, olhares e tudo isso que eu não sei... Deixa-me conseguir fazer diferente uma vez, porque a única coisa que ainda me prende é você. Segure minha mão ou solte-a de uma vez...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Bem mais que meio olhar


Não lembro se estávamos realmente sozinhos, mas não me lembro de outra pessoa naquele lugar a não ser você. Seu olhar estava tão distante, mas quando eles se encontravam com o meu, eu conseguia sentir ele mais perto. A vontade de rir era tão forte que nós nem ao menos conseguíamos ficar um segundo nos encarando. Por quê? Sei lá... Não deve ser importante. Mas estávamos próximos, mesmo com toda aquela distancia, e aquela bagunça. Talvez eu estivesse mais próxima de ti, do que você de mim. Não que você esteja se afastando, mas acho que eu que estou querendo chegar muito perto. Convenhamos, eu era (e ainda continuo) uma chata. Você era terrível também, então não te dou o mínimo direito de falar de mim.
Não sei se quero realmente falar sobre você, sobre meus sentimentos, ou sobre tudo que está me cercando. Se eu tiver que superar isso para que possamos seguir em frente, irei superar. Mas me deixa agora, me deixa ao menos uma vez. Não quero só um segundo, não quero só metade da música, não quero só um abraço. Eu quero tudo, quero completo, quero agora.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Alice: eles se foram - Parte 2


- Mas eu senti sua falta... - tentei mostrar-lhe o quanto me importava, mesmo depois daquele ataque psicótico. 
- Sentiu nada... - Ela suspirou novamente e encostou-se à janela...
Houve um silêncio, e dessa vez eu não sabia o que falar, não sabia muito menos o que fazer... O que Alice esperava? Queria que eu fosse lhe abraçar? Que eu fosse embora? Ou que eu lavasse meia dúzia de canecas para ela ter onde beber seus sucos "especiais"?
- Eles se foram... - ela olhou com os olhos cheios de lágrimas para mim... - se foram há três dias.
- Eles quem? - levantei preocupado e comecei a levantar a pior das hipóteses naquele momento. - Quem Alice?
Ela sorriu tristemente e apontou para a árvore. Ah, sim... Os pássarinhos... Droga, tudo isso por causa de um bando de passarinhos barulhentos? Graças a deus eles foram, estava cansado daqueles chiados...
- Alice, mas eles precisam seguir a vida deles, é assim... - fui chegando mais perto devagar para não assusta-la. - Somos assim também. Você também foi embora da casa de seus pais, eu também... Todos nos crescemos, mudamos, e até mesmo vamos embora... - fui diminuindo o tom de voz enquanto ia me aproximando.
- E se eu mudar Josh? E se eu não te quiser um dia? E se eu tiver que ir embora? - as lágrimas que até então estavam presas, começaram a escorrer.
Eu me aproximei rapidamente para enxugar a primeira lágrima que havia caído. E abracei-a, com força, confortando-a.
Claro que não podia imaginar o que faria se Alice muda-se... Creio que é típico dela, e eu temo isso todos os dias da minha vida. Ela tem esse negócio de nunca saber o que realmente quer, e no fim querer tudo, e geralmente não ter nada. Mas mesmo assim ela parece tão feliz assim. Mas naquele momento, eu só queria esquecer aquela última frase, e ela só queria um abraço. O meu abraço. Naquele momento era o meu, era eu, e ela me queria.
- Não pense pra sempre Alice... - houve uma pausa para nos abraçar mais forte. - Sabemos que não existe. Mas pense agora. Agora eu estou aqui, e você também... - Olhei para ela com um sorriso de canto - E agora queremos ficar aqui juntos.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Alice: eles se foram... - Parte 1


Quando entrei pela porta da cozinha a primeira coisa que vi foi a bagunça. Havia canecas sujas por todas as partes: pia, mesa, em cima da geladeira, e até uma em cima do fogão. Alice tinha esse hábito, não usava copos, apenas canecas. Era estranho, mas bem, o que posso fazer?! Na sala estava um dos cobertores, e alguns filmes ao lado da tv, filmes bem clichês que não consegui reparar no nome.
- Alice? - Fui dizendo enquanto entrava no quarto. E lá estava ela, abraçada com seu edredom olhando pela janela. - Alice o que aconteceu? Você não retornou minhas ligações, não foi no bar do Daniel ontem... O que está acontecendo meu amor?
- Nada - seu olhar não saía da janela, o que será que havia lá de tão interessante? Tirando o fato de que oitenta por cento da sua janela era a visão da árvore que ficava lá fora, não tinha nenhum horizonte ou pôr-do-sol romântico...
- Nada Alice? - Sentei-me na cama ao lado dela, e toquei seu ombro de leve. Ela fez um movimento tirando minha mão de seus ombros e depois voltou pra mesma posição. - Nada mesmo né?
- Me deixa... - ela bufou enquanto apertava mais o edredom.
- O que há Alice? Dia desses estava jurando amores por mim, agora mal posso tocar em teu ombro?
Ela se virou como se naquele instante tivesse dado um tapa em sua dignidade:
- E quem foi que lhe disse que te fiz juras de amor? - Ela jogou o edredom no chão e se levantou - Horas, quem foi? Poupe-me de suas tolices amorosas... Você e eu sabemos que fui obrigada a lhe dizer tais palavras...
- Não pedi nada... – preferia não ter escutado aquilo, mas sabia que era por impulso... Então a deixei, deixe que ela liberta-se de tais sentimentos.
- AH NÃO? - de repente ela estava nervosa e seus olhos começaram a se encher de lágrimas. - Claro que não, sou eu que faço drama de qualquer coisa... Mas caramba Josh! Caramba! Eu quero ficar em casa, não quero ver ninguém, quero silêncio, quero paz! - ela respirou fundo, fez uma longa pausa e olhou novamente para janela - Só faz quatro dias que não nos vemos nem é tanto tempo assim...

Continue lendo Alice.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Alice: Nada de juras eternas


- Fica.
- Pra quê?
- Por mim!
- Por quê?
- Por que eu quero você aqui hoje.
- Porque só hoje?
- Qual sua cisma com o pra sempre? - ela bufou e olhou para teto - Fique agora, me ame agora. Esqueça o amanhã.
- É tão fácil pra você...
- Não! É que tudo pra você é muito difícil. 
- É... Quer saber, é sim! Tudo é difícil... Isso está difícil, e você... Sei lá o que tá acontecendo aqui. - eu me levantei rápido, peguei a camisa no chão e cruzei a porta do quarto.
- Para! - ela dizia enquanto me seguia enrolada no lençol. - Volta aqui...
Eu me virei com força e ela esbarrou com força em mim, e lá estávamos cara a cara.
- Por que você acha que eu deveria ficar aqui?
- Por que eu quero!
- Você sempre quer... É só isso. Quer e pronto. - conseguia sentir o amor e o ódio daquele momento naqueles olhos...
- Para, por favor... - Sua expressão ficou mais serena - Não vá... Eu não to mentindo quando falo que quero você aqui...
Ela olhou para todos os cantos depois de pronunciar aquilo, e seus olhos voltaram a se encontrar com os meus.
- Me desculpa Alice, mas eu não consigo entender tudo isso às vezes. - Eu continuei firme com meu olhar. - Eu quero ficar, mas não é só hoje.
- Então fica aqui... Pra sempre quem sabe - Pude sentir que ela ficara na ponta dos pés para poder aproximar mais seu olhar.
- Por que Alice? Por que deveria ficar aqui pra sempre? - Ela pousou os pés firmes no chão, virou em direção ao quarto, e foi caminhando lentamente. - mas é claro... - bufei.
- SEU IDIOTA TUDO ISSO SÓ PARA OUVIR UMA DROGA DE UM "EU TE AMO FIQUE COMIGO PRA SEMPRE" - ela disse isso fazendo uma voz fina e infantil - DROGA EU TE AMO E QUERO QUE VOCÊ FIQUE PRA SEMPRE. - ela respirou fundo, e tentou recompor sua voz. - eu te amo... Mas não preciso ficar dizendo isso o tempo todo, porque não está nas palavras e sim no que sinto...
Eu a encarei por alguns longos minutos, ela estava encostada na porta do quarto, enrolada no lençol com aquela cara de Alice... Ah Alice, olha o que você fez comigo...
Eu não quis dizer mais nada, apenas me aproximei e a beijei. Beijei, como se não houvesse pra sempre, apenas o agora, nada de juras eternas, apenas sinceras.

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