quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sobre despedidas e olhos azuis.

Não era só um beijo de despedida. Era um daqueles beijos que dizem o quanto querem ficar. Não conseguiam dizer nem se quer uma palavras, mas seus olhos... Ah, seus olhos. Diziam tantas coisas... Eu não sei, talvez você conheça essa sensação, ele estava partindo, mas não sentia nenhuma dor nisso. Não porque realmente queria ir embora, mas só pelo fato de não acreditar que não voltaria. Sua cabeça não conseguia assimilar isso, não conseguia simplesmente acreditar que seria uma viagem sem volta. E os olhos dela? Aqueles olhos azuis, azuis que pertenciam somente a ela. Em outras noites costumava dizer o quanto amava aquela imensidão. Gostava de dizer para ela o quanto aqueles olhos lembravam o mar.
Mas aqueles olhos nunca lhe lembraram tanto o mar quanto naquele momento, aqueles pequenos olhos azuis cercados pelas lágrimas, conseguia sentir a dor que ela estava sentindo em seu peito.
Ele olhou tão fundo naqueles olhos, que parecia estar entrando em um mergulho refrescante, como nas tardes de verão. Como costumavam fazer. A dor o atingiu, como uma bala no peito, como uma agulha no braço, como uma pedra na testa. Como qualquer coisa que possa ser julgada horrível nesse mundo.
- Eu queria tanto poder te pedir para ficar - a voz dela era tão falha, que quase não entendeu aquelas palavras, e certamente preferia não ter entendido.
- Eu gostaria de ouvir e cumprir tal pedido. - ele sentiu finalmente uma lágrima escorrer em seu rosto.
- Fique - ele não soube jugar se aquele tom era de esperança ou só uma tentativa frustante de alívio. Gostaria tanto de atender aquele pedido, mas tudo que fez foi puxar aquele lindo rosto para mais perto de seus lábios, e toca-los com o seu, e sentir aquele gosto, pela última vez.

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