quinta-feira, 29 de março de 2012

Sobre saber ou não


Há dias estou tentando escrever, estou tentando esquecer, estou tentando, sempre tentando, mas nunca realmente conseguindo. Tanta coisa pra dizer, tanta coisa pra não pensar, tanto tudo pra parar... Desistir é tão fácil, mas esquecer não... E não adianta, você quer, mas você não consegue. E assim você vai vivendo, e lembrando, e querendo, e sempre não tentando. Tem sido assim, e não faço ideia de até quando será. Não quero. É claro que não quero, mas insisto, mas estou aqui, mas infelizmente eu não esqueci...
Eu inventei tudo, deixei tudo mais bonito, mais brilhante, e até mais limpo, mas não deixei mais fácil... Não deixei escolha. O que realmente estamos fazendo aqui? O que queremos de verdade? Lá no fundo ambos sabemos que não sabemos de nada... E nunca iremos realmente saber, mas um dia acordaremos, e lá no fundo teremos vontade, e finalmente vamos fazer algo, e mudar, e fazer diferente. E depois tudo será lembrança. Lembranças engraçadas, tristes, idiotas, mas serão apenas lembranças...
Deixa-me explicar, hoje eu acordei com vontade, mas me diga o que devo fazer? O que preciso mudar? O que tem que ser diferente?
Chega de músicas, cócegas, olhares e tudo isso que eu não sei... Deixa-me conseguir fazer diferente uma vez, porque a única coisa que ainda me prende é você. Segure minha mão ou solte-a de uma vez...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Bem mais que meio olhar


Não lembro se estávamos realmente sozinhos, mas não me lembro de outra pessoa naquele lugar a não ser você. Seu olhar estava tão distante, mas quando eles se encontravam com o meu, eu conseguia sentir ele mais perto. A vontade de rir era tão forte que nós nem ao menos conseguíamos ficar um segundo nos encarando. Por quê? Sei lá... Não deve ser importante. Mas estávamos próximos, mesmo com toda aquela distancia, e aquela bagunça. Talvez eu estivesse mais próxima de ti, do que você de mim. Não que você esteja se afastando, mas acho que eu que estou querendo chegar muito perto. Convenhamos, eu era (e ainda continuo) uma chata. Você era terrível também, então não te dou o mínimo direito de falar de mim.
Não sei se quero realmente falar sobre você, sobre meus sentimentos, ou sobre tudo que está me cercando. Se eu tiver que superar isso para que possamos seguir em frente, irei superar. Mas me deixa agora, me deixa ao menos uma vez. Não quero só um segundo, não quero só metade da música, não quero só um abraço. Eu quero tudo, quero completo, quero agora.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Alice: eles se foram - Parte 2


- Mas eu senti sua falta... - tentei mostrar-lhe o quanto me importava, mesmo depois daquele ataque psicótico. 
- Sentiu nada... - Ela suspirou novamente e encostou-se à janela...
Houve um silêncio, e dessa vez eu não sabia o que falar, não sabia muito menos o que fazer... O que Alice esperava? Queria que eu fosse lhe abraçar? Que eu fosse embora? Ou que eu lavasse meia dúzia de canecas para ela ter onde beber seus sucos "especiais"?
- Eles se foram... - ela olhou com os olhos cheios de lágrimas para mim... - se foram há três dias.
- Eles quem? - levantei preocupado e comecei a levantar a pior das hipóteses naquele momento. - Quem Alice?
Ela sorriu tristemente e apontou para a árvore. Ah, sim... Os pássarinhos... Droga, tudo isso por causa de um bando de passarinhos barulhentos? Graças a deus eles foram, estava cansado daqueles chiados...
- Alice, mas eles precisam seguir a vida deles, é assim... - fui chegando mais perto devagar para não assusta-la. - Somos assim também. Você também foi embora da casa de seus pais, eu também... Todos nos crescemos, mudamos, e até mesmo vamos embora... - fui diminuindo o tom de voz enquanto ia me aproximando.
- E se eu mudar Josh? E se eu não te quiser um dia? E se eu tiver que ir embora? - as lágrimas que até então estavam presas, começaram a escorrer.
Eu me aproximei rapidamente para enxugar a primeira lágrima que havia caído. E abracei-a, com força, confortando-a.
Claro que não podia imaginar o que faria se Alice muda-se... Creio que é típico dela, e eu temo isso todos os dias da minha vida. Ela tem esse negócio de nunca saber o que realmente quer, e no fim querer tudo, e geralmente não ter nada. Mas mesmo assim ela parece tão feliz assim. Mas naquele momento, eu só queria esquecer aquela última frase, e ela só queria um abraço. O meu abraço. Naquele momento era o meu, era eu, e ela me queria.
- Não pense pra sempre Alice... - houve uma pausa para nos abraçar mais forte. - Sabemos que não existe. Mas pense agora. Agora eu estou aqui, e você também... - Olhei para ela com um sorriso de canto - E agora queremos ficar aqui juntos.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Alice: eles se foram... - Parte 1


Quando entrei pela porta da cozinha a primeira coisa que vi foi a bagunça. Havia canecas sujas por todas as partes: pia, mesa, em cima da geladeira, e até uma em cima do fogão. Alice tinha esse hábito, não usava copos, apenas canecas. Era estranho, mas bem, o que posso fazer?! Na sala estava um dos cobertores, e alguns filmes ao lado da tv, filmes bem clichês que não consegui reparar no nome.
- Alice? - Fui dizendo enquanto entrava no quarto. E lá estava ela, abraçada com seu edredom olhando pela janela. - Alice o que aconteceu? Você não retornou minhas ligações, não foi no bar do Daniel ontem... O que está acontecendo meu amor?
- Nada - seu olhar não saía da janela, o que será que havia lá de tão interessante? Tirando o fato de que oitenta por cento da sua janela era a visão da árvore que ficava lá fora, não tinha nenhum horizonte ou pôr-do-sol romântico...
- Nada Alice? - Sentei-me na cama ao lado dela, e toquei seu ombro de leve. Ela fez um movimento tirando minha mão de seus ombros e depois voltou pra mesma posição. - Nada mesmo né?
- Me deixa... - ela bufou enquanto apertava mais o edredom.
- O que há Alice? Dia desses estava jurando amores por mim, agora mal posso tocar em teu ombro?
Ela se virou como se naquele instante tivesse dado um tapa em sua dignidade:
- E quem foi que lhe disse que te fiz juras de amor? - Ela jogou o edredom no chão e se levantou - Horas, quem foi? Poupe-me de suas tolices amorosas... Você e eu sabemos que fui obrigada a lhe dizer tais palavras...
- Não pedi nada... – preferia não ter escutado aquilo, mas sabia que era por impulso... Então a deixei, deixe que ela liberta-se de tais sentimentos.
- AH NÃO? - de repente ela estava nervosa e seus olhos começaram a se encher de lágrimas. - Claro que não, sou eu que faço drama de qualquer coisa... Mas caramba Josh! Caramba! Eu quero ficar em casa, não quero ver ninguém, quero silêncio, quero paz! - ela respirou fundo, fez uma longa pausa e olhou novamente para janela - Só faz quatro dias que não nos vemos nem é tanto tempo assim...

Continue lendo Alice.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Alice: Nada de juras eternas


- Fica.
- Pra quê?
- Por mim!
- Por quê?
- Por que eu quero você aqui hoje.
- Porque só hoje?
- Qual sua cisma com o pra sempre? - ela bufou e olhou para teto - Fique agora, me ame agora. Esqueça o amanhã.
- É tão fácil pra você...
- Não! É que tudo pra você é muito difícil. 
- É... Quer saber, é sim! Tudo é difícil... Isso está difícil, e você... Sei lá o que tá acontecendo aqui. - eu me levantei rápido, peguei a camisa no chão e cruzei a porta do quarto.
- Para! - ela dizia enquanto me seguia enrolada no lençol. - Volta aqui...
Eu me virei com força e ela esbarrou com força em mim, e lá estávamos cara a cara.
- Por que você acha que eu deveria ficar aqui?
- Por que eu quero!
- Você sempre quer... É só isso. Quer e pronto. - conseguia sentir o amor e o ódio daquele momento naqueles olhos...
- Para, por favor... - Sua expressão ficou mais serena - Não vá... Eu não to mentindo quando falo que quero você aqui...
Ela olhou para todos os cantos depois de pronunciar aquilo, e seus olhos voltaram a se encontrar com os meus.
- Me desculpa Alice, mas eu não consigo entender tudo isso às vezes. - Eu continuei firme com meu olhar. - Eu quero ficar, mas não é só hoje.
- Então fica aqui... Pra sempre quem sabe - Pude sentir que ela ficara na ponta dos pés para poder aproximar mais seu olhar.
- Por que Alice? Por que deveria ficar aqui pra sempre? - Ela pousou os pés firmes no chão, virou em direção ao quarto, e foi caminhando lentamente. - mas é claro... - bufei.
- SEU IDIOTA TUDO ISSO SÓ PARA OUVIR UMA DROGA DE UM "EU TE AMO FIQUE COMIGO PRA SEMPRE" - ela disse isso fazendo uma voz fina e infantil - DROGA EU TE AMO E QUERO QUE VOCÊ FIQUE PRA SEMPRE. - ela respirou fundo, e tentou recompor sua voz. - eu te amo... Mas não preciso ficar dizendo isso o tempo todo, porque não está nas palavras e sim no que sinto...
Eu a encarei por alguns longos minutos, ela estava encostada na porta do quarto, enrolada no lençol com aquela cara de Alice... Ah Alice, olha o que você fez comigo...
Eu não quis dizer mais nada, apenas me aproximei e a beijei. Beijei, como se não houvesse pra sempre, apenas o agora, nada de juras eternas, apenas sinceras.

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