sábado, 26 de maio de 2012

Alice: impossível de explicar - Fim

O telefone tocou. Eu estava terminando de arrumar a bolsa. Como de costume atendi no quarto toque:
- Alô?
- Preciso te ver, hoje!
- Alice?
- Por favor...
- Me desculpe Alice, mas não. Hoje eu não posso...
- Por quê? Vamos nos ver, eu vou ai... Chego em meia hora, e aí a.... - Tive que interrompê-la
- Olha Alice... Me desculpa, mesmo ok?! - respirei fundo - Mas não dá, estou de saída agora. Te ligo em breve, prometo, e a gente marca um café ou sei lá. Preciso ir agora.
E desliguei.
Já tinha me decidido, não ia mudar de ideia. Várias vezes acreditei que Alice me deixaria, e ela realmente me deixou. Mas desde o começo sabia que ela voltaria.
Sempre pensei nela partindo e finalmente percebi que no final, não era ela que sempre queria ir embora, era eu. O tempo todo era eu. Na verdade nem sei se quis realmente tudo isso. Alice era incrível, isso eu jamais poderia negar. Mas Alice não era pra mim. Quem sabe Alice era perfeita para aquele meu amigo que ela ficou dia desses... Talvez. Mas não era pra mim. Criei uma Alice em minha cabeça, mas essa não era a verdadeira Alice, era a Alice que eu queria que ela fosse. E isso não estava mais certo. Talvez Alice nem fosse tão diferente. O mundo está cheio de Alices, estão espalhadas por toda a parte. Uma delas pode ser pra mim, mas essa não.
Ela não vai sofrer, eu sei disso. Ela vai sair hoje, vai passear de bicicleta pela cidade, e mais tarde vai ir dançar, e de repente vai notar outro cara como eu olhando para ela, e vai tentar algo com ele na tentativa de me esquecer, e tudo isso vai acontecer de novo. Ou pode ser que de repente sua bicicleta quebre no meio do percurso e ela acabe conhecendo um João que conserta bicicletas e não gosta de copos também. E ai ele vai leva-la para dançar. E quem sabe se casem um dia...
Nunca se sabe não é mesmo? A vida é assim mesmo, cheia de surpresas, de encantos e principalmente desencantos, tudo isso é impossível de explicar, mas cada um sabe o que sente, no fundo sempre sabemos... 
Quem sabe a sua Alice ou o seu João está por aí?! Bora pegue sua bicicleta e vá ir dançar mais tarde. Afinal o mundo não pode esperar por você.
Peguei o resto das coisas e sai apressado. Não queria perder o meu voo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Alice: impossível de explicar - Parte 1


Alice estava sozinha, não só naquele momento, mas para sempre talvez. Tirou Josh de sua vida do mesmo modo que o colocou: rápido. Não queria fazer isso. Não queria mais que ninguém sofresse por ela, ou com ela. Queria ser só. Queria andar por aí livre, e poder chorar, rir, se divertir sozinha sem tem que dizer o porquê para ninguém. 
Desde sempre fora assim. Ela sempre tirava de sua vida as pessoas que julgava importante, porque sabia que na verdade elas não eram nem um pouco importante.
Sentia-se mal por ter se aproximado tanto de Josh. Sabia que ele realmente gostava dela, mas ela não sabia o que sentia por ele. Na verdade nunca soube o que sentia por ninguém. Não gostava da ideia de ter que rotular as coisas, principalmente sentimentos. Ninguém pode explicar o que sente, é impossível. Alice nunca quis explicar nada... Ela era apenas ela, seu jeito, suas coisas, sua vida. Mas as pessoas insistiam em querer chegar perto. Ela não tinha culpa alguma.
Ela começou a chorar de repente. Chorou porque estava sozinha, e porque gostava disso; chorou porque não conseguia manter as pessoas por perto; chorou simplesmente porque não sabia definir o que sentia pelo cara mais legal que conhecera; chorou porque teve que chorar... Porque sorrir já estava se tornando comum de mais... Chorou para variar um pouco; Chorou porque queria, porque precisava.
Virou para o lado e viu o telefone. Discou o número dele, ele atenderia no quarto toque. Assim feito. Ele atendeu:
- Alô? 
- Preciso te ver, hoje.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sobre prolongar

Estava sozinha pensando em nada, como de costume, engraçado como isso sempre ocorria. Tudo que lembrava de sentir era o quanto estava com saudades, mas afinal, do que era mesmo que ela sentia falta? Era dele? Não. Não era exatamente dele, talvez fosse. 
Tudo mudou, e ela sabia, sabia que ele nunca ia ligar, nem mandar aquela mensagem que ela tanto esperava, a não ser que fosse fim de ano e ele tivesse vontade de escrever só pra dizer que está na praia, mas que lembrou que era fim de ano e precisava partilhar aquela falsidade de "tenha um ano feliz". E agora mesmo com tudo diferente ele ia continuar não ligando... E então o que ela fez de errado? Simplesmente escolheu o cara errado.
Claro, poderia ter escolhido um desses garotos clichês que falam coisas bonitas no começo, te iludem, e depois somem e você sofre. Mas não, se iludiu por um que não fez absolutamente nada, apenas existiu. E ela sempre se perguntava por quê.
Todo dia estava disposta a mudar, um novo estilo, um novo cabelo, um novo livro, um novo qualquer coisa, só pra mudar mesmo, só pra ter a sensação de que conseguia mudar alguma coisa, menos o que ela mais queria que mudasse.
Percebeu que já não estava mais pensando em nada, pensava nele. Era ele. Droga. O que ela queria mudar? Ela queria aquela bagunça pra ela, não a falsa organização que inventou. Porque afinal, foi por aquilo que ela se encantou. Aquela bagunça em forma humana, desajeitado, desprevenido, desprovido de qualquer tipo de beleza. Mas era aquilo. Era. Não podia ser mais.
No fundo sabia que só estava prolongando seus sentimentos, ou talvez só se defendendo de caras clichês pensando no único que era diferente, no único que não mandaria uma mensagem dizendo "quero te ver hoje" e amanhã sumiria. No único que não mandaria nenhuma mensagem hoje e de qualquer forma ia sumir amanhã, e depois, e por todo resto do ano feliz. Até um dia de repente encontra-lo na rua e ver que sentiu saudade, e ai parar pra conversar, e ai pronto. Prolongar... E ver que ele é um daqueles tipos difíceis de esquecer.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Alice: Nada


Ela desapareceu. Sumiu tão rápido quanto apareceu. Eu procurei por ela em todos os lugares que ela poderia estar... E nessa procura descobri o quanto não sei sobre Alice. Ela me conhece tão bem, sabe meus lugares favoritos, onde meus pais vivem, onde eu trabalho, os únicos bares que frequento, até a livraria que eu costumo ir às quintas feiras à tarde. Ela sabe até o jeito que gosto de organizar meus CDs, meus sapatos... Até o jeito que gosto de deixar minha escova de dente.
Mas e eu? O que sei sobre ela? Sei onde ela mora, é claro. Mas de onde ela realmente veio? Em qual a cidade cresceu? Onde ela costuma ir as quintas feiras enquanto estou na livraria? Nada. Não sei nada. Na verdade sabia da mania das canecas, e da dança. Alice gostava de dançar, dançava o tempo todo...
Tentei ligar novamente. Nada como sempre.
Parece que foi tudo um sonho, parece que ela nunca esteve realmente aqui comigo. E se ela realmente nunca esteve? 
A porta fez um barulho, e meu coração parou.
- Alice?!
Era só o vento.

Continue lendo Alice.

terça-feira, 1 de maio de 2012

E agora?


Começamos errado. Começamos errado acreditando na promessa do tempo, na promessa de que chegaríamos à perfeição um dia. Começamos de uma maneira que ninguém nesse mundo vai entender, mas nós, lá dentro, nós sabemos o que começamos. Deixamos o tempo agir, deixamos passar, e esquecemos que tínhamos acabado de começar. Achamos que o tempo ia consertar, ou o tempo ia resolver tudo. Mas então finalmente descobrimos que não é o tempo que faz algo, e sim, nós. O tempo nos deixa mais forte, mais preparados, o tempo nos amadurece e a partir disso mudamos o que está a nossa volta, mudamos nosso comportamento, nossos relacionamentos, mudamos tudo. Mas esquecemos disso. Deixamos passar e esquecemos que tínhamos algo para consertar. Ficou quebrado, por muito tempo, e agora chegou o momento que precisamos disso, mas onde está? Está lá, em um canto, destruído, o tempo só o deixou pior. Precisamos consertar, mas estamos longe demais pra isso. Poderia ser lindo, poderia ser ótimo, poderia ser perfeito, mas é só mais uma bagunça em nossas vidas. E agora eu te pergunto: consertar ou jogar fora? Porque sinceramente eu não estou mais conseguindo viver com essa bagunça entre nós...

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