quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sobre prolongar

Estava sozinha pensando em nada, como de costume, engraçado como isso sempre ocorria. Tudo que lembrava de sentir era o quanto estava com saudades, mas afinal, do que era mesmo que ela sentia falta? Era dele? Não. Não era exatamente dele, talvez fosse. 
Tudo mudou, e ela sabia, sabia que ele nunca ia ligar, nem mandar aquela mensagem que ela tanto esperava, a não ser que fosse fim de ano e ele tivesse vontade de escrever só pra dizer que está na praia, mas que lembrou que era fim de ano e precisava partilhar aquela falsidade de "tenha um ano feliz". E agora mesmo com tudo diferente ele ia continuar não ligando... E então o que ela fez de errado? Simplesmente escolheu o cara errado.
Claro, poderia ter escolhido um desses garotos clichês que falam coisas bonitas no começo, te iludem, e depois somem e você sofre. Mas não, se iludiu por um que não fez absolutamente nada, apenas existiu. E ela sempre se perguntava por quê.
Todo dia estava disposta a mudar, um novo estilo, um novo cabelo, um novo livro, um novo qualquer coisa, só pra mudar mesmo, só pra ter a sensação de que conseguia mudar alguma coisa, menos o que ela mais queria que mudasse.
Percebeu que já não estava mais pensando em nada, pensava nele. Era ele. Droga. O que ela queria mudar? Ela queria aquela bagunça pra ela, não a falsa organização que inventou. Porque afinal, foi por aquilo que ela se encantou. Aquela bagunça em forma humana, desajeitado, desprevenido, desprovido de qualquer tipo de beleza. Mas era aquilo. Era. Não podia ser mais.
No fundo sabia que só estava prolongando seus sentimentos, ou talvez só se defendendo de caras clichês pensando no único que era diferente, no único que não mandaria uma mensagem dizendo "quero te ver hoje" e amanhã sumiria. No único que não mandaria nenhuma mensagem hoje e de qualquer forma ia sumir amanhã, e depois, e por todo resto do ano feliz. Até um dia de repente encontra-lo na rua e ver que sentiu saudade, e ai parar pra conversar, e ai pronto. Prolongar... E ver que ele é um daqueles tipos difíceis de esquecer.

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