terça-feira, 12 de junho de 2012

Algo para se lembrar.


Eles estavam lá, envolvidos naquele clima, envolvidos nas suas histórias, nas suas cicatrizes, estavam unidos pela dor. A dor da perda. A perda que cada um teve em particular.
Ela estava mais envolvida, com toda certeza. Era claro a paixão dela por ele naquele momento. Não que ele estivesse menos envolvido, mas ele não sabia demonstrar os sentimentos - consequências de sua perda -, não sabia como fazer aquilo, mas queria.
Era ela que o envolvia, era ela que conduzia aquele momento, ela percebeu o desanimo nos olhos vagos dele e parou. Não tinha motivos para continuar... Era melhor a solidão do que aquilo. Não precisava de pessoas vazias. Queria ele justamente para fugir das pessoas vazias que a cercava. Mas lá estava, mais um vazio, mais um como as garrafas de vinho no chão. Ela encostou ao lado dele, e ficou lá, tentando se esvaziar de tudo aquilo que sentia.
- O que foi?
- Nada, acho que não estou mais a fim... - ela suspirou e levantou... Grande mentira! Aquilo era tudo que ela queria.
Foi até o armário e pegou outra garrafa. A última. Tentou abrir, mas sabia que seu esforço era em vão, não tinha forças para tirar aquela rolha.
- Me deixa abrir... - Ele se levantou e foi se aproximando dela, ficou realmente perto, retirou a garrafa da mão dela devagar e colocou no balcão ao lado. Ela o olhou curiosa. Por que aquilo agora?
Ele percebeu a inquietação dela, e respondeu todas aquelas duvidas dela com uma ação: encostou a garota no balcão e começou a beija-la devagar, começou a envolvê-la como nunca havia feito com outra. Era isso, era isso que tinha que fazer. Não precisava de mais uma noite falsa, embriagado ou fingindo não estar interessado, não precisa de uma noite que ele não se lembraria. Queria que fosse diferente. Dessa vez queria se lembrar.

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