terça-feira, 18 de setembro de 2012

Não foi pelo tédio...


Os dois estavam sentados, cansados e sem nenhum assunto. Na verdade ambos tinham muitas coisas para dizer, mas era difícil demais, era complicado demais... Por quê? Por que era tão difícil assim apenas falar o que se tem vontade? Nenhum ali sabia, por isso permaneceram calados.
Entreolharam-se algumas vezes, trocaram alguns sorrisos, nada demais e continuaram observando a festa. Todos dançavam... A música era alta, ela não gostava. Estava quente e ela tinha vontade de correr.
- Vou embora... - ele disse finalmente
- Por quê?
- Olhe para isso - ele disse olhando para cada canto do salão - você sabe muito bem que eu e você não queremos estar aqui...
- É verdade - ela disse suspirando.
Mas de repente ele pareceu curioso, muito curioso.
- Se você não queria estar aqui... - ele fez uma pausa enquanto voltava os olhos para ela - por que veio?
E ela não sabia o que falar. Seu corpo paralisou, sua respiração ficou difícil, e ela tentou desviar seu olhar... Olhou para todos os cantos possíveis e imagináveis. O que falar? Nada?
- Sei lá... - finalmente desabou
- Ah sim... - ele suspirou como se não fosse aquilo que ele quisesse ouvir... E realmente não era. - Apenas tédio não é?!
Ela o olhou, e naquele momento ela sentiu uma vontade imensa de dizer o porquê de ela estar ali. Dizer o quanto esperou por aquele dia, e do quanto imaginou as situações. De contar também que foi difícil escolher a roupa, pensar em vários assuntos para chegar ali e não dizer nada. Dizer que pensou em tantas piadas, mas esqueceu do fim de todas. Queria contar também o quanto ele estava bonito, mesmo estando como costumava sempre estar. Contar que sentiu falta de falar com ele nos últimos dias, de receber mensagens aleatórias... Tanta coisa para dizer, tanta coisa presa... Mas ela se virou para ele, sorriu e apenas disse:
- É...

domingo, 16 de setembro de 2012

Finalmente


Estou presa aqui há dias tentando escrever algo coerente... Algo que realmente pareça valer alguma coisa. Mas tudo parece estúpido, e não me parece bom o suficiente. Sufoco-me nos meus pensamentos, nas vontades... Sufoco-me nessa vontade grande de querer falar de você, mas me sufoco mais por não saber o que dizer. Eu não sei, porque as palavras me faltam, e tudo parece insuficiente. 

O que fizestes comigo? Qual é a desse teu efeito que me tirou do mundo real? Eu não sei... Mas gostaria de saber.

Enquanto escrevo sinto uma vontade incontrolável de apagar tudo e recomeçar, e tentar de novo, e tentar, e de alguma forma conseguir chegar lá...

Você entende o que quero dizer? É como você... Eu tento de tantas formas chegar até você, alguma forma de finalmente estar contigo, mas no meio tudo da errado e o que me resta a fazer é voltar e tentar de outra forma chegar lá, finalmente... Há dias vivo esse drama. Eu não sei mais em quem pensar além de você.

Continuo achando uma tremenda estupidez, mas querido entenda... É difícil demais encontrar pessoas como você. E eu não consigo... Eu não consigo... Eu repito as palavras, repito para tentar fixar na minha mente, mas não funciona, não funciona. Repare, só nesse texto repeti tantas sentenças...

Eu devo te esquecer... Eu sei, eu sei. Mas não é fácil não. Se fosse já teria feito. Mas esse teu sorriso... É difícil demais, e eu não quero... Eu não quero.

Deixe-me ficar, só por ficar mesmo... Mas deixe-me aqui.

domingo, 9 de setembro de 2012

Sobre ventiladores e sentimentos abafados


O calor era quase insuportável. A única coisa que me mantinha viva naquele ambiente era o ventilador na minha cara. O vento era abafado, tudo estava abafado. Assim como meus sentimentos, mas uma vez.

E é ai que eu percebo que tenho mania mesmo é de abafar. Sou como um ventilador em um quarto fechado. Sei que estou ali cumprindo a minha missão de girar, girar, girar. Minha intenção ali é refrescar, mas na verdade tudo que eu estou fazendo é tornar tudo mais abafado.

Eu vivo abafando. Tento abafar tudo que é coisa. Logo eu que falo tanto... Pra você ver, mesmo falando tanto, muita coisa ainda fica abafada dentro de mim. E tudo que eu quero dizer, fazer e até mesmo sentir ficam presos no quarto fechado, girando, esquentando, circulando; porém presos.

E sabe qual a única solução para isso? Abrir as portas, as janelas e deixar tudo isso circular. É como nas noites de verão, enquanto você não deixar um vento fresco entrar para circular, você nunca vai conseguir dormir em paz.

Descobri o motivo da minha insônia. Essa noite vou lembrar-me de abrir as portas e as janelas... E da próxima vez que eu te encontrar também. Vou me lembrar de abrir as portas e a janelas e vou deixar tudo isso circular... Vou parar de abafar, e apenas deixar ir... E vou sempre me lembrar: tudo aquilo que o vento leva, ele também pode trazer, nunca se sabe...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sobre saudades


Você me liga depois de um mês sem nos falarmos. Conta às novidades das festas, do sufoco que tem passado com as coisas da faculdade e o trabalho. Reclama do chefe, do professor de alguma matéria que você detesta. Você me conta das garotas do final de semana. Me conta da loira de sexta, da ruiva de sábado e de quebra das duas morenas de domingo. Eu deixo você falar.

Enquanto você fala eu termino de ler aquela matéria da revista, organizo meus livros que não estão na estante e vejo algumas fotos nossas. E você fala...

No meio daquelas histórias horríveis que você me conta, você fala da queda da sua irmãzinha, e eu sinto uma pena enorme. Você fala das brigas constantes dos seus pais, e fala do quanto está se esforçando para conseguir um apartamento mais barato. E então eu vejo a profundidade que nossa conversa está tomando dessa vez.

Você fala da bagunça que anda as coisas.

Você suspira, e agora eu sei que é minha vez de falar. Mas antes do meu primeiro desabafo você solta:
- Estou morrendo de saudades.

E toda possibilidade de uma conversa acaba. Eu quero que você volte a falar, falar, falar... Eu quero ficar ouvindo sua voz resmungando da vida, do cabelo, da casa, dos pais, do trabalho... De qualquer coisa. Quero ouvir suas piadas ruins, de como é incrível aquele jogo que lançou essa semana e quero ouvir até sobre as mulheres.

E então tudo que eu digo é:
- Eu também querido, eu também...

E naquele momento surge um silêncio entre nós. Não temos o que falar, aquele momento seria o momento que estaríamos nos abraçando bem apertado e quem sabe até chorando (eu estaria pelo menos). Aquele era o momento que nós percebíamos o quanto realmente precisamos um do outro.

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