segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sobre saudades


Você me liga depois de um mês sem nos falarmos. Conta às novidades das festas, do sufoco que tem passado com as coisas da faculdade e o trabalho. Reclama do chefe, do professor de alguma matéria que você detesta. Você me conta das garotas do final de semana. Me conta da loira de sexta, da ruiva de sábado e de quebra das duas morenas de domingo. Eu deixo você falar.

Enquanto você fala eu termino de ler aquela matéria da revista, organizo meus livros que não estão na estante e vejo algumas fotos nossas. E você fala...

No meio daquelas histórias horríveis que você me conta, você fala da queda da sua irmãzinha, e eu sinto uma pena enorme. Você fala das brigas constantes dos seus pais, e fala do quanto está se esforçando para conseguir um apartamento mais barato. E então eu vejo a profundidade que nossa conversa está tomando dessa vez.

Você fala da bagunça que anda as coisas.

Você suspira, e agora eu sei que é minha vez de falar. Mas antes do meu primeiro desabafo você solta:
- Estou morrendo de saudades.

E toda possibilidade de uma conversa acaba. Eu quero que você volte a falar, falar, falar... Eu quero ficar ouvindo sua voz resmungando da vida, do cabelo, da casa, dos pais, do trabalho... De qualquer coisa. Quero ouvir suas piadas ruins, de como é incrível aquele jogo que lançou essa semana e quero ouvir até sobre as mulheres.

E então tudo que eu digo é:
- Eu também querido, eu também...

E naquele momento surge um silêncio entre nós. Não temos o que falar, aquele momento seria o momento que estaríamos nos abraçando bem apertado e quem sabe até chorando (eu estaria pelo menos). Aquele era o momento que nós percebíamos o quanto realmente precisamos um do outro.

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