quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nada de rimas e metrificação


A semana estava uma droga, essa era minha certeza absoluta naquele momento. Não era bem saudade, mas era apenas aquela leve vontade de estar no mesmo ambiente que ele. E lá estavam. 
Entre um olhar e outro, um sorriso. Entre uma brincadeira e outra, uma risada. Mas que som belíssimo era aquele? Já não podia se conter ao ver aqueles pequenos olhos brilhando. Sinceramente já não podia se conter com muita coisa ali.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sobre garotas incompreendidas

As garotas a odiavam, e os garotos tinham raiva por gostar tanto dela. Era simpática e gostava de se divertir. Era incompreendida. Não gostava de ouvir conselhos, gostava só de fazer aquilo que a fazia se sentir feliz.
Não tinha escrúpulos, falava palavrões, piadas de mau gosto, brincadeiras irritantes, pegava todos os garotos, e faziam com eles o que bem entendia. Ela se achava no controle da situação na maioria das vezes, mas qualquer um que olhasse para ela realmente conseguia ver suas fraquezas. Era uma garota tão frágil e inocente no mesmo tempo que era completamente forte e pervertida. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Sobre portões

Ele já estava longe, longe o suficiente para não escutar os soluços, o suficiente para não conseguir ver os olhos vermelhos. Ela desejou gritar, mas não adiantaria, ele não ia mais desviar do caminho, ele havia feito uma escolha, não ia voltar atrás e ela sabia disso.
Passou uns dias, umas semanas, talvez até uns meses. Nada mudou. Alguns dias ela se lembrava, em outros ela simplesmente esquecia-se de lembrar. Sentia uma vontade de ligar uma vez ou outra, mas não queria ouvir a voz dele. Sentiu vontade de ir lá visita-lo, mas não queria ver ele. Ela sentia uma falta, tão grande, mas tão grande... Se ele soubesse... Se ele soubesse na verdade nada iria mudar mesmo. Pessoas que nasceram para ficarem separadas, não ficam juntas de maneira alguma.
Ele era esse tipo de pessoa. Ela nasceu para ficar perto dele, mas ele não. Tudo que fazia era partir, era a melhor qualidade que ele possuía. Ele partia mesmo sem ir a lugar algum. E ela ficava. Sempre ficava, sempre esperava, sempre ligava... Ele nem ao menos abria o portão para ela entrar, e não era só da casa... Ele nunca, em nenhum momento sentiu algo por ela. E seria assim.
Ele não ia ligar, e ela já sabia disso. Mas esperava, mesmo sabendo que nem ao menos o numero dela ele tinha.
Noites, dias, tardes... Tudo foi se perdendo, tudo estava distante agora. Ela o viu algumas vezes na rua. Não quis conversar. Ele também a viu, mas fingiu que não.
Agora não existe mais ela e ele, existe ela e existe ele. São pessoas diferentes agora. São apenas outras pessoas. Ela foi apenas mais uma que se foi. Mas dessa vez ela havia percebido finalmente que nada disso vale mesmo a pena. Que de qualquer maneira, ele não era mais tão especial assim. 
Limpou o rosto, tomou um copo de água, e foi visitar outro, um que pelo pelo menos abria o portão para ela entrar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nosso esconde-esconde

Quando o vi pela primeira vez automaticamente um letreiro gigante apareceu por cima daquele rosto, dizendo com letras grandes e vermelhas: Perigo. Mas todo mundo aqui sabe que eu não dei a mínima para isso. Sorriso solto, jeito simples, típico conquistador, aquele que todas querem por perto ou então longe o suficiente para não se lembrarem da existência.

Eu sei bem como funciona. Eu consigo dizer o que vai acontecer, mas mesmo assim quem importa?
Vamos sair, dançar um pouco, trocar algumas piadas e no fim da noite você vai sorrir na minha porta e dizer que a noite foi agradável, e você vai me olhar nos olhos e depois para os meus lábios, depois disso iremos nos beijar. Meu mundo vai cair, meus muros serão destruídos, borboletas forraram meu estômago.

Mas vamos ser realistas aqui. Você não quer dançar, você quer beber, e depois você vai querer me levar para um lugar onde ninguém irá nós procurar, aquele que eu quero que você me leve. E então você vai fazer todas as coisas que você sempre quis fazer com as outras, coisas que elas nunca quiseram, porque todas elas preferem o beijo no portão, mas eu vou aceitar, vou aceitar porque eu também quero as mesmas coisas que você. Quero uma bebida, um esconderijo, loucuras, quero fugir de tudo que é normal e conveniente. Vamos ficar deitados rindo da cara um do outro e pensando na desculpa que vamos dar para todos depois. Nossas roupas no chão, garrafas na cabeceira. É disso que gostamos.

Vamos sair de lá separados. Cada um pro seu canto. Provavelmente você vai conseguir uma carona e eu irei caminhando... Não é tão longe afinal. As meninas vão comentar de você para mim, e eu vou fingir uma repulsa pelo tipo de cara que você aparenta ser, vou fingir que você é só mais um canalha que provavelmente adora fazer as garotas ficarem babando por aí... E você é mesmo! E também vou estar pensando na próxima desculpa que vou dar quando elas me ligarem marcando de sair e eu estiver com você. E você é claro, vai estar ouvindo seus amigos falando das garotas novas que chegaram, principalmente daquela loira de olhos verdes, você vai concordar e dizer o quanto desejaria estar com ela. Mas na realidade você vai estar pensando em um próximo esconderijo para nós.

Você vai me ligar, vamos nos encontrar escondido. Ninguém vai descobrir, e nós dois adoramos isso. Adoramos esse esconde-esconde que fazemos com o mundo inteiro. Gostamos de criar bagunça.

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