sábado, 10 de novembro de 2012

Sobre portões

Ele já estava longe, longe o suficiente para não escutar os soluços, o suficiente para não conseguir ver os olhos vermelhos. Ela desejou gritar, mas não adiantaria, ele não ia mais desviar do caminho, ele havia feito uma escolha, não ia voltar atrás e ela sabia disso.
Passou uns dias, umas semanas, talvez até uns meses. Nada mudou. Alguns dias ela se lembrava, em outros ela simplesmente esquecia-se de lembrar. Sentia uma vontade de ligar uma vez ou outra, mas não queria ouvir a voz dele. Sentiu vontade de ir lá visita-lo, mas não queria ver ele. Ela sentia uma falta, tão grande, mas tão grande... Se ele soubesse... Se ele soubesse na verdade nada iria mudar mesmo. Pessoas que nasceram para ficarem separadas, não ficam juntas de maneira alguma.
Ele era esse tipo de pessoa. Ela nasceu para ficar perto dele, mas ele não. Tudo que fazia era partir, era a melhor qualidade que ele possuía. Ele partia mesmo sem ir a lugar algum. E ela ficava. Sempre ficava, sempre esperava, sempre ligava... Ele nem ao menos abria o portão para ela entrar, e não era só da casa... Ele nunca, em nenhum momento sentiu algo por ela. E seria assim.
Ele não ia ligar, e ela já sabia disso. Mas esperava, mesmo sabendo que nem ao menos o numero dela ele tinha.
Noites, dias, tardes... Tudo foi se perdendo, tudo estava distante agora. Ela o viu algumas vezes na rua. Não quis conversar. Ele também a viu, mas fingiu que não.
Agora não existe mais ela e ele, existe ela e existe ele. São pessoas diferentes agora. São apenas outras pessoas. Ela foi apenas mais uma que se foi. Mas dessa vez ela havia percebido finalmente que nada disso vale mesmo a pena. Que de qualquer maneira, ele não era mais tão especial assim. 
Limpou o rosto, tomou um copo de água, e foi visitar outro, um que pelo pelo menos abria o portão para ela entrar.

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