quarta-feira, 15 de maio de 2013

Lavanda


Tinha muito barulho, ele sentia sua mente se desfazendo e queria cair. Queria apenas se espatifar naquele chão e por lá ficar, mesmo com toda aquela gente, e todo aquele barulho. Queria apenas desligar-se.
O ambiente estava cheio, mas ele sentia apenas o cheiro dela. Ele sentia aquele perfume de lavanda por toda parte. E aquela voz ecoava. Ele não conseguia assimilar as coisas. De repente nada fazia sentido, muito menos estar ali. 

Pegou o copo que estava a sua frente, e embriagou-se um pouco mais. Procurava em todos os lugares uma forma de solucionar esse aperto. Em um misto de confusão, bebidas e barulhos, lembrou-se dos momentos a sós com a moça. O momento em que seus corpos selvagens se entrelaçavam de uma maneira quase mística. O modo como se envolviam, como seus corpos se encaixavam. O misto de prazer, loucura, pele, suor. Não pode conter um suspiro profundo, e claro, outra bebida.
Quando se deu conta já estava em seu apartamento com outra mulher, seu cheiro era excêntrico, mas não era tão bom, seus cabelos eram claros e muito finos. Ela o devorava, o desejava. E ele estava apenas embriagado desejando o perfume de lavanda, os cabelos negros selvagens, aquela pele branca desfilando nua por seu apartamento. Entrou em transe ao se lembrar, e jurou que sua dama selvagem estava lá. Apenas entregou-se, e naquela noite amou como nunca tinha amado.
Na manhã seguinte ao se levantar um pouco tonto, encontrou uns fios loiros sobre seu corpo, e sentia um cheiro forte no ambiente. Sentiu-se enjoado. Abriu as janelas, acendeu um cigarro, e voltou para cama.
Não havia nenhuma dama selvagem ao seu lado, não havia cheiro de lavanda, não havia mais amor, apenas aquele maldito cheiro.

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