terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sobre amores no trem

Crédito da imagem
Quando me levantei eu estava completamente sozinho. O silêncio me fazia pensar em tudo que eu não queria. Eu precisava de um lugar. Precisava de um lugar com pessoas, com barulho, com movimento... Precisava de agitação. Peguei um livro na estante e sai de casa. Nem ao menos me preocupei em fechar as janelas. Que molhasse se chovesse! Eu sempre fui desses.
Enquanto esperava o próximo trem sentado na plataforma, tentava observar as pessoas. Tentava encaixar situações para elas, interpretar suas faces mal humoradas, suas risadas altas, seus passos apressados... De alguma forma eu tentava inventar histórias para cada uma que ali estava.

Foi quando notei do outro lado uma moça de casaco verde. Era engraçado como ela se destacava naquela multidão apressada e preta e branca. Ela estava sentada com seu cabelo curto escuro um pouco bagunçado e olhando fixamente para a linha do trem. Imaginei o que ela estaria pensando naquele momento. Estaria ela pensando no amado? Na noitada da noite passada? Da briga que teve com seus pais? Quais eram os problemas daquela garota que parecia tão solitária no meio daquela multidão? 
Eu não conseguia não olhar e ela continuava olhando fixamente para a linha. Ela tinha algo de envolvente, algo que eu não podia resistir. Era como se nada ali pudesse ser tão belo. Sim, ela era linda. De repente ela percebeu que estava sendo observada e lançou um olhar de canto para mim. Ao perceber que permaneci com meu olhar fixo, ela sorriu desconcertada. Eu sabia que estávamos nos comunicando através daqueles sorrisos e olhares sem jeito.  
Antes que eu pudesse de alguma forma dizer a ela que me esperasse. O seu trem se aproximou. E então eu não podia mais vê-la. As pessoas continuavam apressadas e passavam na minha frente como se o mundo estivesse prestes a acabar. E eu não conseguia entender o porquê de tanta pressa. Eu havia perdido a minha garota.
O trem partiu e eu não conseguia mais localizar aquela que outrora tinha tomado toda minha atenção. Logo o meu trem também chegou. As pessoas efervesceram-se. E bem, tudo que me restou era entrar naquele trem sem um destino exato. Depois da loucura, consegui finalmente um lugar no vagão. Quando as portas se fecharam foi quando eu a vi lá fora, correndo com os cabelos curtos ao vento e com o casaco desajeitado em seu corpo. Mas já era tarde. As portas já haviam fechado e o trem já ia partir. Mas como um milagre, ou apenas um erro técnico (o melhor dos erros por sinal), as portas se abriram novamente e ela pode entrar. Ao parar do meu lado apenas sorriu, ajeitou o casaco e colocou sua mão sobre a minha. Então pudemos partir sem destino juntos.

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